GRAN PREMIO DE BAHRÉIN

Hamilton supera Rosberg após um duelo fratricida

A Mercedes mostra sua superioridade no Grande Prêmio do Bahrein, onde o mexicano Pérez termina em terceiro e Massa em sétimo lugar

Hamilton recebe a bandeirada da vitória.
Hamilton recebe a bandeirada da vitória.PATRICK BAZ (AFP)

Poucas vezes nos últimos anos se viu um final de corrida tão brilhante e espetacular como o do Grande Prêmio do Bahrein. O circuito de Shakir viveu vários duelos fratricidas desde o começo até o fim, entre os quais se destacou o protagonizado pelos dois pilotos da Mercedes, Lewis Hamilton e Nico Rosberg. Amigos e rivais desde sua etapa infantil no kart, o britânico e o alemão fizeram uma corrida espetacular, cheia de alternativas, com batalhas impressionantes para não ceder nem um milímetro de terreno na guerra que já mantêm dentro da equipe. No fim, Hamilton ficou com a vitória, a segunda consecutiva da temporada e a 24ª de sua carreira, e Rosberg teve de se conformar, a contragosto, com a segunda posição.

Depois deles chegaram o mexicano Checo Pérez e o australiano da Red Bull, Daniel Ricciardo, que superou com clareza seu companheiro e campeão mundial, Sebastian Vettel. O pódio da F-1 está vendo muitas caras novas. Escuderias que no ano passado eram quase figurantes entraram na batalha pelo terceiro lugar. Agora, Force India e Williams são incluídas em todos os bolões de apostas. E seus pilotos se convertem também em protagonistas em todas as corridas. Os duelos entre os dois membros dessas equipes foram um dos destaques em Shakir. E ver como o tetracampeão mundial Vettel não podia com Pérez, Ricciardo e Hulkenberg foi uma lição.

Na Ferrari, entretanto, os problemas se acentuam em cada corrida. Se nas primeiras a escuderia ainda conseguiu preservar as aparências, na do Bahréin a tragédia ficou mais evidente. Alonso já tinha indicado isso depois da classificação, quando afirmou que a equipe precisava fazer algo para poder ser competitiva e disse que esperava que o carro melhorasse na China. O asturiano tinha razão e isso ficou claro no circuito de Shakir, quando tanto os carros da Williams como os da Force India se mostraram muito superiores em velocidade máxima e no desempenho global em relação aos monoblocos vermelhos de Maranello. Tanto Alonso como Raikkonen lutaram para manter posições, mas as coisas estavam muito complicadas para eles. Tudo ficou evidente quando tanto Ricciardo (Red Bull e motor Renault) como Bottas superaram de forma consecutiva o finlandês, passadas já 30 voltas da corrida.

Alonso também não pôde evitar ser ultrapassado por Pérez (na volta de número 20) e não conseguiu lutar em igualdade de condições com Hulkenberg, que se converteu este ano em um inimigo particular. O espanhol tinha largado bem, mas os problemas foram ficando evidentes para ele à medida que a corrida avançava. Era tinha dificuldade em manter posições. E tanto Hulkenberg como Button, ou mesmo Vettel, se encarregaram de demonstrar isso, depois da terceira troca de pneus. Todos eles eram quase um segundo por volta mais rápidos que o espanhol. Estava claro que as Ferraris não foram brigar pelo pódio… sua batalha agora é pontuar.

“Corrida difícil. Sabíamos que tudo seria complicado esta semana. Não foi divertido. E conseguir um ou dois pontos não é nosso objetivo”, assinalou Alonso. “O carro deu o máximo e os mecânicos trabalharam bem para resolver os problemas. Tivemos um problema de ajustes, nada mais. Mas o campeonato está difícil, as Mercedes estão escapando. Temos de pará-las nas próximas corridas.”

Entretanto, todo isso perdeu importância quando Maldonado investiu sobre Gutiérrez na curva 1 e o fez voar pelos ares, dando uma capotada que fazia temer o pior. Felizmente, o espetacular acidente não teve consequências físicas. Mas obrigou que entrasse osafety car na pista e mudou todo o panorama da corrida. Hamilton, que levava então 13 segundos de vantagem sobre Rosberg e mais de 60 sobre o terceiro colocado, Bottas, cedeu toda essa vantagem e percebeu, de repente, que devia lutar contra seu companheiro de equipe com pneus duros frente aos macios de Rosberg.

A questão era comprovar se realmente os pneus macios proporcionariam tanta vantagem como havia ocorrido nos treinos (1,5 segundo). Na corrida, a vantagem não parecia ser tanta. O box da Mercedes transpirava preocupação: “Garantam que os dois carros cheguem sãos e salvos ao final da corrida”. Foi a mensagem que receberam os dois pilotos, que já tinham protagonizado lutas ferozes e fratricidas para ganhar ou manter posições. Quando o safety car desapareceu (a 11 voltas do final), Rosberg atacou Hamilton e fracassou na primeira tentativa. Atrás, seguia a luta entre os dois Force India de Pérez e Hulkenberg. Os Red Bulls de Vettel e Ricciardo – que acabou ultrapassando o alemão – arrasaram a McLaren de Button. Alonso lutava pela nona posição defendendo-se de Raikkonen.

Os ataques de Rosberg se repetiram até o final, com a ajuda da RDS. Mas, uma vez após outra, Hamilton ia fechando a porta, demonstrando que a diferença entre o composto duro e o brando dos pneus não era tanta. No final, a equipe interveio e Rosberg baixou seu ritmo para evitar problemas. Hamilton acabou ganhando a disputa, mas a guerra entre os dois velhos amigos segue totalmente aberta.