A Bolsa de Moscou sofre queda histórica e o rublo atinge mínima

A crise encarece as matérias-primas e leva os investidores a procurar refúgio

Um empregado observa um gráfico dos valores de Moscou.
Um empregado observa um gráfico dos valores de Moscou.A. R. (Bloomberg)

O temor de um conflito armado na Ucrânia disparou nesta segunda-feira os alarmes nos mercados internacionais. Em um dos focos da crise, em Moscou, o principal índice da Bolsa —RTS—, registrou uma queda de 11,5% —com a Gazprom na frente das perdas— e o rublo atingiu mínimas históricos. As vendas, além disso, se espalharam por toda a Europa provocando quedas superiores a 2% nas Bolsas de referência, ao mesmo tempo em que se encareceram algumas das principais matériasprimas e subiu a cotação do ouro por sua condição de refúgio em tempos de incerteza.

Um dos ativos que sofreu uma maior correção foi o rublo. A divisa russa, que já estava em baixa antes do conflito, reforçou sua queda até atingir mínimas frente ao dólar, em 37 rublos, e ao euro, em 51 unidades.

Para frear a depreciação, o Banco Central da Rússia elevou as taxas de juros de referência de 5,5% a 7%. “A decisão está dirigida a evitar o aparecimento de riscos inflacionários e garantir a estabilidade financeira ante o acréscimo da volatilidade nos mercados financeiros”, assinalou a entidade emissora em um comunicado. Além disso, com o mesmo objetivo, a instituição interferiu nos mercados de divisas vendendo 10 bilhões de dólares de suas reservas.

Nos mercados internacionais, o temor diante de um corte do fornecimento de trigo e milho, dos quais a Ucrânia é um importante produtor, encareceu seu preço em 4% e 7%, segundo os índices de Chicago que são a referência destes produtos no mundo. Também disparou o preço do petróleo até máximas anuais de 112,4 dólares por cada barril de Brent, o tipo negociado em Londres.

Mas não tudo foram más notícias para o Kremlin. Assim, segundo o último inquérito do Centro Russo de Estudo da Opinião Pública, o apoio da população ao presidente Vladímir Putin atingiu na última semana quase 68%, o que significa o nível mais alto dos últimos doze meses. Segundo os especialistas, neste resultado influíram tanto a bem-sucedida organização dos Jogos Olímpicos de Sochi como a posição de Moscou diante da crise na Ucrânia.

Enquanto isso, o Ministério Público russo ordenou ao organismo supervisor da Internet, Roskomnadzor, bloquear as páginas dos nacionalistas ucranianos. A exigência foi a resposta do Executivo ao apelo feito no domingo pelo líder do setor da direita Dmytro Yárosh ao chefe dos rebeldes chechenos, Doku Umárov. Nele, Yárosh pedia a Umárov, organizador de vários atentados terroristas contra a Rússia, que atuasse nas cidades russas e defendesse a Ucrânia, como já fizeram os voluntários que combateram antes do lado dos chechenos. A promotoria abriu uma causa criminosa contra Yarosh, mas o porta-voz do setor da direita se desvinculou desse apelo e disse que o líder da organização não tinha nada a ver com o documento e que seu aparecimento se explica porque sua página foi hackeada por desconhecidos.

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