EUA revisam para baixo o crescimento do quarto trimestre

A expansão do período diminuiu para 2,4%, 0,8 ponto percentual abaixo do previsto. O crescimento do ano ficou em 1,9%, diante dos 2,8% de 2012

O Fed está ansioso para reduzir os estímulos. Mas precisa de dados para executar e justificar sua estratégia. A informação do crescimento do quarto trimestre está ficando já um pouco velha, mas pode ser uma orientação. A economia dos Estados Unidos cresceu no final do ano a uma taxa anualizada de 2,4%, o que supõe uma revisão para baixo, de 0,8 ponto percentual em frente ao que foi antecipado há um mês. Para o conjunto de 2013 fica em 1,9%, com o que se modera em frente ao 2,8% em 2012.

A expansão entre outubro e dezembro fica assim longe do robusto 4,1% do terceiro trimestre e se coloca no patamar de 2,5% no segundo. O dado, que não inclui todo o efeito no consumo que as nevascas ocorridas no início de 2014 causaram, a moradia a produção industrial, deve ser revisado uma vez mais para que seja definitivo. Por enquanto, confirma-se que os EUA cresceram no ano passado abaixo do potencial e que a recuperação avança com lentidão.

O indicador do quarto trimestre revela também que o impacto na economia da cessação administrativa nas primeiras semanas de outubro pôde ser maior do que o esperado. Do lado do consumo, houve um crescimento de 2,6%, ou seja 0,7 ponto percentual abaixo do previsto. Em todo o caso, está acima da média do período posterior à crise, que se fixou em 2,2%. O medo é que o mau tempo possa ter afetado mais em janeiro e fevereiro.

Do lado das empresas, o investimento em equipamento cresceu 10,6% no quarto trimestre, em relação a só 0,2% no terceiro. Enquanto o setor imobiliário começou a desacelerar, com uma queda de 8,7% nas novas construções, mas que contrasta com um incremento de 10,3% três meses antes. Na balança comercial, as exportações cresceram 9,4% e as importações 3,9%. A despesa pública caiu um 12,8% diante do 1,5% do terceiro semestre.

Janet Yellen, presidenta do Fed, disse ontem no Senado que a economia acelerou no segundo semestre de 2013 e espera que o crescimento seja moderado neste ano e no próximo. Mas a revisão para baixo do indicador antecipa um arranque de 2014 complicado. Sua ideia é manter a retirada com o objetivo de desmantelar o programa de compra de dívida para o segundo semestre deste ano. Reiterou que só uma “mudança significativa” na projeção modificará o plano.

O Fed está comprando bônus em um ritmo de 65 bilhões de dólares ao mês, depois de duas liquidações consecutivas de 10 bilhões. A próxima reunião do banco central está prevista para o final de março, a primeira presidida por Yellen. Alguns analistas falam da possibilidade de uma pausa. O Fed deve determinar se a debilidade dos dados se deve a algo mais que o efeito das fortes nevascas, algo que disse é "difícil de discernir".