24ª RODADA DO CAMPEONATO ESPANHOL | ATLÉTICO - VALLADOLID

A reação veio das raízes

O Atlético resolve a partida em quatro minutos e se impõe contra o Valladolid (3 x 0), com dois gols de bola parada e um contra-ataque

Os jogadores do Atlético comemoram o segundo gol.
Os jogadores do Atlético comemoram o segundo gol.SUSANA VERA (REUTERS)

Diante das dúvidas após as últimas derrotas, em uma semana em que foi golpeado mais do que está acostumado, o Atlético olhou para o próprio umbigo para recuperar a sua identidade. Diego entrou no segundo tempo para jogar com a equipe que, exceto por Alderweireld, colocou o time no ponto mais alto da tabela. Foi um retorno às origens após três derrotas. Pressão nos rebotes, bola parada e contra-ataque. O Atlético de Simeone em sua plenitude. Toda essa reação do Atlético à crise foi comprimida em um início agitado, que resultou em dois gols de vantagem, quando os torcedores ainda subiam às arquibancadas. Dois golpes contundentes que deixaram o Valladolid na lona. Levantou para fazer apenas o que o Atlético permitia; levar a bola até, no máximo, a entrada da área. Outra prova de identidade recuperada.

Atlético de Madri 3 X 0 Valladolid

Atlético: Courtois; Juanfran, Alderweireld, Godín, Insúa; Arda (Villa, min. 34 do segundo tempo), Mario Suárez, Gabi, Koke (Sosa, min. 33 do segundo tempo); Raúl García (Diego, min. 18 do segundo tempo) e Diego Costa. Não utilizados: Aranzubía; Miranda, Cebolla Rodríguez e Adrián.Valladolid: Mariño; Rukavina, Marc Valiente, Mitrovic, Peña; Rubio, Rossi; Larsson (Rama, min. 26 do segundo tempo), Víctor Pérez, Omar (Osorio, min. 1 do segundo tempo); e Javi Guerra (Manucho, min. 33 do segundo tempo). Não utilizados; Jaime; Sastre, Baraja e Bergdich

Gols: 1-0. min. 2 Raúl García; 2-0. min. 4 Diego Costa; 3-0. min. 74. Godín.

Árbitro: Prieto Iglesias. Amarelo para Víctor Pérez, Peña e Mitrovic.

Cerca de 40.000 torcedores no Vicente Calderón

 Os jogadores de Simeone precisavam dessa vitória para não ficarem atormentados demais antes da visita, da próxima quarta-feira, ao San Siro, onde o pedigree do Milan, a competição e o cenário exigem atletas com a cabeça no lugar. Obtiveram-na com duas explosões intensas. Em um minuto, conseguiram muitas coisas por causa da tensão competitiva com a qual subiram ao campo. uma cabeçada de Raúl García e uma falta cobrada por Diego Costa, da ponta da grande área. A execução apontou diretamente para o laboratório de Simeone. Gabi jogou curto para Koke, que, em vez de jogar a bola no coração da área, cruzou rasteiro na entrada dela, da onde Raúl García emendou um chute de direita, à média altura, que o surpreso Mariño não alcançou. O chute voltou a mostrar o brilho com o qual Raúl García pega na bola, tão concreto quanto prático. Especializou-se tanto que agora, jogando descaradamente de atacante, tem essa precisão que já o levou 14 gols, sete na liga.

Havia transcorrido apenas um minuto da jogada que abriu o marcador quando o Atlético e Diego Costa apresentaram o que melhor os expressa. Um roubo no meio-de-campo, a defesa adiantada e muito verde pela frente. Foi Raúl García que lançou a bola por cima da defesa e lançou Costa, indomável nessas condições. Marcou seu vigésimo primeiro gol em La Liga, com um toque suave que encobriu Mariño. Esse segundo gol em cinco minutos corroborou esse início visceral do Atlético, que precisava de um golpe de autoridade. Conseguiu com dois dos seus recursos de cabeceira para poder administrar uma partida que, às vezes, parecia resolvida há muito tempo. Não teve que padecer contra uma equipe fechada por muito tempo porque ao Valladolid não restou nada além de tentar manter a posse de bola contra a forma com a qual Simeone administra suas vantagens.

Embora o duelo estivesse finalizado, essa sequência de três derrotas mediu a capacidade de um dos líderes do campeonato. Era uma partida para ver quais jogadores davam um passo à frente diante do primeiro baque sério da campanha. Apareceu Diego Costa, aguerrido e valente. E também Gabi, irregular com a bola em alguns deslocamentos, mas sempre presente em um dos termômetros desse time, a pressão quando a bola é perdida. Koke e Arda apareceram muitas vezes pedindo a bola. Entre eles e as proteções de Juanfran pela direita, houve mais presença do Atlético na segunda etapa. O Valladolid conseguiu apenas um chute com Javi Guerra, que foi desviado.

Nessa dinâmica de jogo, voltou a ser a bola parada a arma da equipe para terminar de esmagar o adversário. Cortaram um chute de Godín, debaixo das traves, e Mario acertou o travessão. Simeone precisa do seu meio-campista em forma agora que chegaram as grandes partidas. Após três meses afastado por lesão, em uma temporada que ele não começou muito bem, a equipe precisa da sua qualidade, da sua colocação e que seja seguro na saída de bola.

Entre as movimentações de Arda, e já com Diego em campo, Godín fechou o marcador com uma cabeçada, após cobrança de escanteio do meia brasileiro. Outra forma de ratificar os argumentos que mais contribuíram com a equipe. A torcida do Calderón também precisava da vitória, porque é difícil controlar o emocional e a ilusão, pois há anos eles não viam seu time, nessa altura da temporada, com 60 pontos, cabeça a cabeça com os milionários Real Madrid e Barcelona.

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