Mayer supera favoritismo de Bode Miller na descida

O austríaco, filho de medalhista olímpico, surpreende e obtém o ouro na principal prova do esqui alpino, na qual o americano era o mais cotado

Matthias Mayer celebra seu ouro no alto do pódio, ao lado de Christof Innerhofer (prata) e Kjetil Jansrud (bronze).
Matthias Mayer celebra seu ouro no alto do pódio, ao lado de Christof Innerhofer (prata) e Kjetil Jansrud (bronze).Christophe Pallot / GETTY

O primeiro ganhador do esqui alpino em Krasnaya Poliana, a imponente montanha que coroa Sochi, é quase um desconhecido. Matthias Mayer, um austríaco de 23 anos, arrebatou todo o protagonismo de Bode Miller, o astro americano que brilhou nos treinamentos e que todos apontavam como favorito para ganhar a descida, a principal prova do esqui alpino, uma competição vertiginosa que, dizem os esquiadores, nestes Jogos Olímpicos de Inverno está mais perigosa que nunca. Miller terminou em oitavo lugar.

“A pista é gelo puro, com giros, um par de saltos muito grandes, tem de tudo”, explica Ferrán Terra, um dos dois espanhóis na competição. “É de morrer”, tinha dito dias atrás Bode Miller, ganhador de cinco medalhas olímpicas desde 2002, o primeiro esquiador da história a participar de cinco Jogos e o mais veterano de todos os que estão competindo em Sochi, com 36 anos.

Não tenho certeza sobre o que foi mal. A visibilidade era diferente hoje. Essa é a única diferença que vejo em relação aos outros"

Miller saiu muito rápido, mas teve uma pequena falha no meio do percurso e pagou caro por isso. Ao contrário de Mayer, que não foi dos melhores no primeiro trecho, mas acelerou nas duas últimas até cruzar a meta em 2m 06,23s, que lhe deu o ouro. “É incrível. Pensava que talvez daqui a alguns anos pudesse sonhar com algo assim”, disse ele.

A prata foi para o italiano Innerhofer (2m 06,29s), que, apesar de perder a glória por seis centésimos, celebrou quase como se tivesse vencido. O bronze ficou com o norueguês Kjetil Jansrud (2m, 06,33s). O melhor dos espanhóis foi Paul de la Cuesta, 28.º, enquanto Terra ficou seis posições atrás.

Miller demorou 2m 06,75s e não conseguia explicar o que havia acontecido: “Não tenho certeza sobre o que foi mal. A visibilidade era diferente hoje [pela primeira vez desde que começaram os Jogos, o sol não brilhou de manhã, parecia coberto por uma película] e essa é a única diferença que vejo em relação aos outros dias, mas é algo a que estamos acostumados”, afirmou o americano.

Mayer não havia vencido nenhuma grande prova de descida da Copa do Mundo nesta temporada, na qual sua melhor colocação foi o quinto lugar em Bormio (Itália). Sua melhor classificação desde que estreou em 2009 tinha sido também um quinto posto, mas o do Slalom Gigante, nos mundiais do ano passado. Mas, em Sochi, mostrou a que veio desde o início: esteve entre os melhores nos dois primeiros dias de treinamento (no terceiro, não se apresentou).

“É incrível. Minha família deve estar maluca”, disse. Seu pai, Helmut, foi prata no Slalom Gigante de Calgary em 1988. Mayer filho superou o pai. Bode Miller terá de esperar. Tem mais quatro oportunidades.