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Quatro brasileiros entre os cem personagens do ano de EL PAÍS

EL PAÍS SEMANAL apresenta uma seleção das personalidades ibero-americanas que marcaram 2013

  •  Sua credibilidade e firmeza política converteram a brasileira na sombra que paira sobre a reeleição de Dilma Rousseff.   Por  Francho Barón   O capital político e a credibilidade de Marina Silva (Rio Branco, 1958) a converteram na sombra que paira sobre a reeleição no próximo pleito presidencial de 2014 da presidenta brasileira, Dilma Rousseff. Analfabeta até os 16 anos, ecologista ferrenha, Silva é um exemplo de vontade, superação e firmeza que pôs em evidência as misérias da classe política brasileira, manchada há décadas por inúmeros casos de corrução. Apesar de erigir na figura com mais possibilidades de colocar de canto nas próximas eleições o Partido dos Trabalhadores (PT), no qual militou fielmente durante anos, a lei eleitoral brasileira impediu que ela entrasse em campanha com as siglas de seu próprio partido, a Rede Sustentabilidade, forçando-a a buscar refúgio no Partido Socialista Brasileiro (PSB). Alguns a veem como um elemento indomável da política do país, embora o que ela proclame na realidade seja a refundação da classe política brasileira, que ela culpa por muitos dos grandes males que assolam a população.
    1MARINA SILVA. Alternativa brasileira. Sua credibilidade e firmeza política converteram a brasileira na sombra que paira sobre a reeleição de Dilma Rousseff.

    Por Francho Barón

    O capital político e a credibilidade de Marina Silva (Rio Branco, 1958) a converteram na sombra que paira sobre a reeleição no próximo pleito presidencial de 2014 da presidenta brasileira, Dilma Rousseff. Analfabeta até os 16 anos, ecologista ferrenha, Silva é um exemplo de vontade, superação e firmeza que pôs em evidência as misérias da classe política brasileira, manchada há décadas por inúmeros casos de corrução. Apesar de erigir na figura com mais possibilidades de colocar de canto nas próximas eleições o Partido dos Trabalhadores (PT), no qual militou fielmente durante anos, a lei eleitoral brasileira impediu que ela entrasse em campanha com as siglas de seu próprio partido, a Rede Sustentabilidade, forçando-a a buscar refúgio no Partido Socialista Brasileiro (PSB). Alguns a veem como um elemento indomável da política do país, embora o que ela proclame na realidade seja a refundação da classe política brasileira, que ela culpa por muitos dos grandes males que assolam a população.

  •  Lutou desde muito jovem para transformar o Brasil. Da presidência, encarou com êxito este ano os protestos sociais e a espionagem dos EUA da qual ela própria foi vítima   Por  Luiz Inácio Lula da Silva   Se eu tiver de escolher uma palavra para definir o caráter da presidenta Dilma Rousseff, esta palavra é coragem. Desde muito jovem esta companheira lutou para transformar o Brasil e melhorar a vida das camadas mais pobres. Foi perseguida, presa e torturada na ditadura, mas não abandonou seus ideais. Numa sociedade acostumada a ver sempre homens nas posições de comando, ela foi a primeira mulher secretária de Fazenda de sua cidade, a primeira ministra de Minas e Energia do Brasil, a primeira chefe da Casa Civil, a primeira presidenta. Em meu governo, ela reorganizou o setor de energia e levou eletricidade a 3 milhões de famílias no campo. Comandou o maior programa de infraestrutura de nossa época. Em seu governo, o país alcançou a marca de 36 milhões de pessoas resgatadas da miséria absoluta. Em meio à crise mundial, o Brasil da presidenta Dilma é o país de melhor desempenho no combate ao desemprego, que caiu a 5,2%. 2014 será um grande ano para o Brasil, não apenas pela realização da Copa do Mundo de Futebol. O país estará colhendo os frutos que a presidenta Dilma plantou: a exploração do petróleo do pré-sal, as concessões de aeroportos, rodovias e portos, os grandes investimentos em educação, saúde e saneamento. Será o ano do reconhecimento da seriedade e competência dessa corajosa mulher brasileira.
    2DILMA ROUSSEFF. A coragem do poder. Lutou desde muito jovem para transformar o Brasil. Da presidência, encarou com êxito este ano os protestos sociais e a espionagem dos EUA da qual ela própria foi vítima

    Por Luiz Inácio Lula da Silva

    Se eu tiver de escolher uma palavra para definir o caráter da presidenta Dilma Rousseff, esta palavra é coragem. Desde muito jovem esta companheira lutou para transformar o Brasil e melhorar a vida das camadas mais pobres. Foi perseguida, presa e torturada na ditadura, mas não abandonou seus ideais. Numa sociedade acostumada a ver sempre homens nas posições de comando, ela foi a primeira mulher secretária de Fazenda de sua cidade, a primeira ministra de Minas e Energia do Brasil, a primeira chefe da Casa Civil, a primeira presidenta. Em meu governo, ela reorganizou o setor de energia e levou eletricidade a 3 milhões de famílias no campo. Comandou o maior programa de infraestrutura de nossa época. Em seu governo, o país alcançou a marca de 36 milhões de pessoas resgatadas da miséria absoluta. Em meio à crise mundial, o Brasil da presidenta Dilma é o país de melhor desempenho no combate ao desemprego, que caiu a 5,2%. 2014 será um grande ano para o Brasil, não apenas pela realização da Copa do Mundo de Futebol. O país estará colhendo os frutos que a presidenta Dilma plantou: a exploração do petróleo do pré-sal, as concessões de aeroportos, rodovias e portos, os grandes investimentos em educação, saúde e saneamento. Será o ano do reconhecimento da seriedade e competência dessa corajosa mulher brasileira.

  •  À frente da OMC, este brasileiro liderou o primeiro acordo global em quase duas décadas para impulsionar o comércio mundial   Por  Juan Arias   Aos 55 anos, Roberto Azevêdo se transformou no primeiro brasileiro e latinoamericano à frente da direção de um dos organismos econômicos mais estratégicos do mundo: a Organização Mundial do Comércio (OMC), que reúne 159 países. O sutil e hábil diplomata brasileiro entrou com o pé direito em seu novo cargo, e a OMC, que parecia paralisada, alcançou no final deste ano de 2013, o mérito indiscutível de fechar o primeiro acordo global das últimas duas décadas. Azevêdo chegou à presidência da OMC sem o apoio da velha Europa e sem o apoio aberto dos Estados Unidos. Foi eleito e indicado pelos países periféricos, os emergentes, que alguns já chamam do “Novo Mundo”. O Brasil, que começava a tropeçar em sua política exterior, tem conseguido se colocar em evidência mundial com Azevêdo. E com o Brasil, o continente latinoamericano, do qual é peça fundamental.
    3ROBERTO AZEVÊDO. O sutil negociador À frente da OMC, este brasileiro liderou o primeiro acordo global em quase duas décadas para impulsionar o comércio mundial

    Por Juan Arias

    Aos 55 anos, Roberto Azevêdo se transformou no primeiro brasileiro e latinoamericano à frente da direção de um dos organismos econômicos mais estratégicos do mundo: a Organização Mundial do Comércio (OMC), que reúne 159 países. O sutil e hábil diplomata brasileiro entrou com o pé direito em seu novo cargo, e a OMC, que parecia paralisada, alcançou no final deste ano de 2013, o mérito indiscutível de fechar o primeiro acordo global das últimas duas décadas. Azevêdo chegou à presidência da OMC sem o apoio da velha Europa e sem o apoio aberto dos Estados Unidos. Foi eleito e indicado pelos países periféricos, os emergentes, que alguns já chamam do “Novo Mundo”. O Brasil, que começava a tropeçar em sua política exterior, tem conseguido se colocar em evidência mundial com Azevêdo. E com o Brasil, o continente latinoamericano, do qual é peça fundamental.

  •   É um dos ‘chefs’ mais influentes do mundo. Entusiasta da cozinha amazônica, vem revolucionando a gastronomia brasileira.   Por  Alberto Chicote   Tive o privilégio de receber Alex Atala no que, então, era a minha cozinha, há alguns anos. Esperava encontrar um chef brilhante que estava transformando a gastronomía brasileira e que trazia dezenas de produtos e técnicas que não conhecíamos, nem eu e nem os demais cozinheiros da equipe. Quando ele chegou, descobri uma pessoa de talento, imaginação, conhecimentos e uma capacidade de desenvolvimento culinário fora de série. Durante o tempo que dividimos os meus fogões, descobrimos um profissional meticuloso, um amante da perfeição, um gestor de equipes maravilhoso, e um cozinheiro desses que se realizam com o trabalho bem feito a cada dia. Quando foi embora, percebi que havia descoberto um desses seres humanos capazes de alterar o rumo gastronômico de um país, que Alex é alguém com uma capacidade enorme de fascinar pelo seu modo de compreender a comida. Mais que tudo, encontrei a uma das melhores pessoas que conheço dentro deste ofício, um amigo.        Alberto Chicote é um chef espanhol, dono dos restaurantes Pandelujo e Nodo
    4ALEX ATALA. O equilíbrio prodigioso.  É um dos ‘chefs’ mais influentes do mundo. Entusiasta da cozinha amazônica, vem revolucionando a gastronomia brasileira.

    Por Alberto Chicote

    Tive o privilégio de receber Alex Atala no que, então, era a minha cozinha, há alguns anos. Esperava encontrar um chef brilhante que estava transformando a gastronomía brasileira e que trazia dezenas de produtos e técnicas que não conhecíamos, nem eu e nem os demais cozinheiros da equipe. Quando ele chegou, descobri uma pessoa de talento, imaginação, conhecimentos e uma capacidade de desenvolvimento culinário fora de série. Durante o tempo que dividimos os meus fogões, descobrimos um profissional meticuloso, um amante da perfeição, um gestor de equipes maravilhoso, e um cozinheiro desses que se realizam com o trabalho bem feito a cada dia. Quando foi embora, percebi que havia descoberto um desses seres humanos capazes de alterar o rumo gastronômico de um país, que Alex é alguém com uma capacidade enorme de fascinar pelo seu modo de compreender a comida. Mais que tudo, encontrei a uma das melhores pessoas que conheço dentro deste ofício, um amigo.


    Alberto Chicote é um chef espanhol, dono dos restaurantes Pandelujo e Nodo