Com medo de ter cabeça raspada, Rocha Loures pede cabelo preservado

Defesa pede para que o ex-assessor de Temer não passe por tratamento “desumano e cruel”

Rodrigo Rocha Loures preso
Rodrigo Rocha Loures chega de Nova York, no aeroporto de Guarulhos, após ter seu nome citado na delação de executivos da JBS. Folhapress

As prisões de políticos no âmbito da Lava Jato têm revelado os pecados capitais dos homens públicos do Brasil. Além da ganância evidente de tantos personagens, a defesa do ex-assessor do presidente Michel Temer, Rodrigo Rocha Loures, tornou público outro pecado: a vaidade. Ao solicitar uma audiência de custódia – quando o preso se apresenta ao juiz depois da prisão em flagrante – ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, a defesa do ex-deputado solicitou que ele tivesse preservado o direito de não ter o cabelo raspado, como fizeram com o bilionário Eike Batista no Rio de Janeiro, caso ele fosse transferido de prisão.

Preso desde sábado no presídio de Curitiba, após ser flagrado com uma mala de 500.000 reais em propina da JBS, o ex-deputado paranaense está notoriamente incomodado com os efeitos do furacão JBS. Os advogados de Rocha Loures alegam, no pedido de custódia, que a mídia tem divulgado com insistência sobre uma possível transferência do ex-assessor presidencial para a Papuda, segundo ele, “apenas para aumentar o constrangimento e expor o ex-deputado como se fosse um troféu aos famintos que desejam saborear um banquete.” Foi nessa linha que entrou o pedido de que tivesse o cabelo preservado, caso ele seja transferido de presídio. O advogado afirma, no texto, que Loures não quer passar por “tratamento desumano e cruel”. “É indispensável que assegure um mínimo de privacidade e dignidade do requerente, como determina da Constituição Federal”.

Não se sabe ao certo se esse pedido pode ser acatado. Mas já é fato que Rocha Loures vai continuar detido, apesar de ter solicitado um habeas corpus para responder aos crimes que lhe são atribuídos em liberdade. O ministro Ricardo Lewandowski, do STF, negou tramitar a solicitação, por entender que ele não cabe habeas corpus contra a decisão de outro ministro da Corte (no caso, Fachin, que autorizou a prisão de Loures).

Segundo Joesley Batista, o ex-assessor presidencial era o homem de confiança do presidente e havia sido indicado para receber esse dinheiro como propina. Loures é investigado no Supremo junto com Temer. Eles são suspeitos dos crimes de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça. A defesa do ex-assessor tinha argumentado no pedido de habeas corpus que Rocha Loures foi vítima de uma “cilada” armada pelo acionista da JBS e que a prisão dele foi decidida “na calada da noite”.

Nesta segunda-feira, o advogado do ex-assessor Cezar Bitencourt solicitou também a Fachin o acesso a todas as gravações das delações dos irmãos Batista sob a alegação que o armazenamento de provas configura uma modalidade de obstrução da Justiça. O pedido teria sido motivado por rumores de que outras gravações envolvendo o presidente e Rocha Loures ainda não foram divulgadas.

MAIS INFORMAÇÕES