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Banco Mundial reduz para 0,3% a previsão de crescimento do Brasil em 2017

Instituição esfria as expectativas de melhora econômica da América Latina

O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim
O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim REUTERS

A economia brasileira crescerá 0,3% no atual exercício, dois décimos a menos que o esperado, segundo as previsões do Banco Mundial. O dado indica que a recuperação econômica do país se manterá ainda a um ritmo lento, apesar do triunfalismo do Governo, que nesta semana deu por encerrada a recessão, depois que o PIB cresceu 1% no primeiro trimestre, após dois anos de fortes quedas. Para 2018, o Banco Mundial é mais otimista e mantém o prognóstico de que a economia do Brasil avançará 1,8%.

A economia mundial se recupera. É o prognóstico do Banco Mundial, que assinala que a expansão alcançará este ano 2,7% em todo o planeta graças à melhoria do comércio e da confiança na estabilização do valor das matérias-primas. São três décimos a mais que em 2016 e chegará a 2,9% no ano que vem, para ficar nesse patamar em 2018. Mas a recuperação, adverte a instituição, continua sendo frágil.

A mesma leitura é feita para a América Latina. De uma contração de 1,4% em 2016 e de 0,8% em 2015, voltará a crescer 0,8% este ano graças à saída do Brasil e da Argentina técnica da recessão. Depois voltará a se expandir, com crescimento de 2,1% em 2018 e chegando a 2,5% em 2019. Mas a recuperação é menor do que a antecipada em janeiro. Houve um corte de quatro décimos na projeção para este ano e de dois na do ano que vem.

A Argentina tem uma melhor previsão que o Brasil. Para este ano a expansão será de 2,7% e de 3,2% para o próximo, do mesmo modo que o estimado em janeiro. Ao tratar do impulso, o Chile também é citado: crescerá 1,8% este ano e 2% no próximo.

O México segue tendência inversa. O crescimento cairá dos 2,3% do ano passado para o 1,8% projetado para 2017, embora a economia volte a se expandir em 2018 (2,2%) e 2019 (2,5%). A projeção para este ano ficou inalterada. Houve um corte de três décimos no prognóstico para os exercícios sucessivos por causa da contração dos investimentos decorrente da incerteza sobre a política comercial e de imigração dos Estados Unidos.

No ano passado havia quatro países da região em recessão. Neste ano são dois: o Equador, com uma contração de 1,3%, e a Venezuela, de 7,7%. A República Bolivariana será a única no vermelho em 2018, com uma recessão de 1,2%. O relatório de perspectivas econômicas projeta, porém, uma expansão da economia venezuelana de 0,7% em 2019, embora seja por não verem como se degradar mais.

O risco do protecionismo

O crescimento para o conjunto dos países emergentes será de 4,1% em 2017, seis décimos a mais que no ano passado, mas um décimo a menos que o antecipado no informe publicado em janeiro. A projeção é que alcance 4,5% em 2018, com um corte também de um décimo. O grupo dos BRICS, integrado pelas maiores economias emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) se expandirá 5% e 5,2% respectivamente.

O Banco Mundial identifica como principal risco para o crescimento mundial “as novas restrições ao comércio, que podem descarrilar a recuperação”. O outro temor é que a incerteza que cerca as políticas a serem adotadas, especificamente no âmbito monetário, possa minar a confiança e os investimentos, o que, por sua vez, poderia criar fragilidade nos mercados e provocar turbulências.

O relatório dedica um capítulo a analisar a dívida crescente dos países emergentes e em desenvolvimento. No final de 2016 piorou mais de dez pontos porcentuais do produto interno bruto na metade dos países, quando se toma como referência o nível de 2007. Os especialistas se preocupam com essa tendência e alertam que pode ser danosa se houver um aumento abrupto nas taxas de juros.

Nos pontos de vulnerabilidade o banco também faz referência à baixa produtividade. No longo prazo isso poderá erodir as perspectivas de crescimento. Por isso, Jim Yong Kim, seu presidente, pede que se aproveite este momento para reforçar as estruturais que permitam atrair o investimento privado para sustentar o crescimento e enfrentar desafios como as mudanças climáticas.

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