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Milhares protestam contra as reformas do Governo Temer

Movimentos promovem manifestações no país contra mudanças trabalhistas e na Previdência

Manifestantes em São Paulo, nesta sexta-feira.
Manifestantes em São Paulo, nesta sexta-feira. EFE

Sem saberem que, ao final do dia, veriam o presidente Michel Temer sancionar a polêmica Lei da Terceirização, que promove mudanças nas relações de trabalho, milhares de pessoas foram às ruas em diversas partes do Brasil para protestar contra as reformas trabalhista e da Previdência. Com gritos de "fora, Temer" e, desta vez, sem a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os manifestantes comemoravam os baixos índices de popularidade do presidente, divulgados nesta sexta-feira, e afirmavam que apenas as pressões das ruas poderão frear as mudanças que estão sendo planejadas e realizadas pelo Governo federal.

Em São Paulo, onde houve a maior marcha, organizadores estimaram em 70.000 o número de presentes. A Polícia Militar não forneceu estatísticas oficiais. O principal carro de som era ocupado por membros de centrais sindicais, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), de sindicatos de classe, como o que representa os professores da rede estadual de São Paulo (Apeoesp), e de movimentos, como o dos trabalhadores sem-teto (MTST). As falas convergiam em torno da reprovação às medidas do Governo e afirmavam que as marchas no país eram apenas uma preparação para uma greve geral, que está sendo articulada para o próximo dia 28 de abril. "Se esse recado das ruas não for entendido, nós vamos ter que invadir o Congresso Nacional", afirmou Guilherme Boulos, um dos coordenadores do MTST. "Ou eles ouvem as ruas, ou o povo vai reagir com desobediência", ressaltou.

Fora dos carros de som, entretanto, havia uma mistura de participantes, que trazia de professores a estudantes e membros de coletivos jovens. "A gente não acha essa ideia do Temer legal. Essa ideia de trabalhar até morrer. Vim aqui lutar pelo meu direito e pelo dos outros. Temer quer tratar a gente como escravo", dizia Rian Mateus, de 15 anos. O professor universitário Luiz Caseiro, de 66 anos, afirmava que, para ele, a única forma de barrar as reformas era com "o povo na rua". "Não dá mais para confiar no Supremo [Tribunal Federal], no Legislativo, no Executivo. Só nos resta a rua e os movimentos sociais", dizia. "Esses criminosos assaltaram o poder de maneira ilegítima, derrubando uma presidenta sem crime comprovado. Essas reformas [do Governo Temer] são o pagamento do financiamento que ele teve para tirar Dilma Rousseff", ressaltava ele.

Ao contrário do que houve no ato organizado pelos grupos no mês passado, o ex-presidente Lula não participou dos protestos. Também não houve, do carro de som principal, gritos marcantes que pedissem a sua volta, em 2018, apesar de muitos dos movimentos presentes serem ligados ao Partido dos Trabalhadores. Com isso, procurou-se evitar que o ex-presidente tomasse o protagonismo dos protestos, para que parte dos movimentos organizadores, que não defende o "volta, Lula", não se incomodasse.

Fora dos microfones, entretanto, foi possível ver pelas ruas muitas bandeiras do PT e pedidos do retorno do ex-presidente ao Governo no ano que vem. No Rio, uma das alas do protesto, com adesivos do PT, entoou um "olé, olé, olé, olá, Lula, Lula". Alguns manifestantes se afastaram do grupo, desconfortáveis, mas Felipe Moraes, estudante de 23 anos, defendeu que Lula, "apesar da criminalização contra o PT", é a "única opção para derrotar o projeto neoliberal". Moraes, que acredita na inocência do ex-presidente, réu em cinco processos, "até que se demonstre o contrário", avaliou que a pauta imediata deste ato era derrubar as leis do Governo Temer. Mas alertou: "não podemos negar que isto aqui tem uma influência para 2018. Cada grupo cria suas narrativas. Eles [que protestaram no último domingo] têm o [juiz Sérgio] Moro como herói nacional e nós, o Lula", disse o estudante.

Ao todo, estavam programados atos em 23 Estados e no Distrito Federal. O do Rio de Janeiro também foi grande, apesar de manifestantes e polícia não fornecerem dados oficiais. Nas ruas do centro da cidade, onde costumam se repetir cenas de violência em dias de protesto, também se abraçou a pauta dos sindicatos e se entoou o "fora, Temer", mas tudo sem tumultos desta vez. O advogado Aderson Bussinger marchava sozinho durante o protesto e mostrou sua preocupação pelo avanço das novas leis "contra a classe trabalhadora". "Fixar a idade de aposentadoria em 65 anos é absurdo. É uma idade na qual o brasileiro já está debilitado", defendeu ele, que criticou também a terceirização por "desmontar os fundamentos do direito de trabalho brasileiro e enfraquecer o sindicalismo."

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