Seleccione Edição
Entra no EL PAÍS
Login Não está cadastrado? Crie sua conta Assine

Ivanka Trump, ‘made in China’

Dezenas de empresas chinesas requerem o nome da filha do presidente dos EUA para seus produtos

Donald Trump, com sua filha Ivanka. AFP

A assessora da Casa Branca Kellyanne Conway se pôs a recomendar ao público na TV que comprasse roupas da marca de Ivanka Trump e, embora de duvidosa legalidade, segundo as normas federais norte-americanas, o conselho deu resultado: as vendas da linha de propriedade da filha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dispararam. É uma tendência que dezenas de empresas e pessoas na China, ao que parece, querem aproveitar em benefício próprio: apressaram-se a registrar variações do nome da empresária como marcas de sua propriedade.

Segundo o escritório de registro de marcas chinesas, são 65 os produtos registrados com o nome “Ivanka”. De acordo com o jornal South China Morning Post, de Hong Kong, entre as solicitações de registro dos últimos meses se encontra uma de absorventes higiênicos, apresentada pela Fujian Yingjie Commodity Company apenas 10 dias depois do triunfo eleitoral de Donald Trump.

As leis chinesas permitem que os fabricantes registrem como marcas nomes ocidentais e suas diferentes transcrições em ideogramas, o que suscita frequentes demandas nos tribunais sobre violação do uso das marcas registradas.

A China reconheceu na semana passada 38 licenças comerciais para que Trump coloque seu nome em produtos e empresas no país, em setores que abarcam de hotéis a casas de massagens. É uma decisão que provocou questionamentos sobre a possibilidade de que o presidente tenha recebido um tratamento favorável: o magnata brigou durante uma década para que uma dessas licenças lhe fosse reconhecida.

Em outro caso que recebeu atenção mundial, Michael Jordan tentou recuperar os direitos sobre seu nome na China durante quatro anos até que um tribunal finalmente os reconhecesse em dezembro passado.

Ivanka Trump com seu marido Jared Kushner e seus três filhos.
Ivanka Trump com seu marido Jared Kushner e seus três filhos. AP

No caso de Ivanka, muitas das licenças comerciais para o uso de seu nome ainda estão em tramitação e se desconhece se serão ou não concedidas. Também não está claro se as empresas querem aproveitar a fama da filha presidencial para aumentar suas vendas ou simplesmente aspiram a cobrar uma volumosa soma em troca de renunciar à licença com o nome dela.

A situação é irônica: a concessão dessas licenças significaria que na China são comercializados produtos com o nome “Ivanka” que não têm nenhuma relação com a filha do presidente dos EUA. Ao mesmo tempo, muitos dos produtos legítimos da marca que são vendidos nos Estados Unidos foram fabricados na China.

Embora durante sua campanha Trump tenha prometido “comprar [produtos] americanos e contratar americanos”, os registros de Aduanas chineses mostram que desde as eleições de 8 de novembro pelo menos 1.600 carteiras de couro, duas toneladas de blusas de poliéster e 23 toneladas de sapatos marca Ivanka Trump, fabricados no país asiático, foram enviados aos EUA em 80 carregamentos, informa a AFP.

MAIS INFORMAÇÕES