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Sismômetro detectou um ‘terremoto’ depois do 6x1 do Barcelona contra o PSG

Celebração deu origem “à maior vibração” desse tipo medida pelo aparelho do CSIC

Terremoto Barcelona PSG
Gols refletidos no sismograma registrado pelo pesquisador Jordi Díaz.

“Aprende-se com as coisas mais estúpidas”, argumenta o sismólogo Jordi Díaz. Na quarta-feira, quando já era noite profunda, o sismômetro de seu instituto de pesquisas começou a tremer de um modo incomum. Os 100.000 espectadores do Camp Nou acabavam de pular ao mesmo tempo para festejar o gol da vitória no último segundo da partida do Barcelona contra o Paris Saint-Germain. O sismômetro, instalado no Instituto de Ciências da Terra Jaume Almera, a cerca de 500 metros do estádio de futebol, detectou “um minúsculo terremoto”. Segundo Díaz, é “a maior vibração deste tipo registrada até agora” pelo aparelho, adquirido há cinco anos.

O sismograma reflete cada um dos seis gols do Barcelona. A amplitude do sinal sísmico no primeiro gol é similar à detectada em qualquer outra partida. A equipe azul-grená precisava reverter o 4x0 que tomou no jogo de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões. O segundo e o terceiro gol apareceram no sismômetro com uma amplitude levemente maior que o normal, de acordo com Díaz. O ambiente esfriou depois do gol do Paris Saint-Germain, de modo que o quarto e o quinto gol do Barcelona não foram tão festejados. Com o 6x1 chegou a “apoteose”, nas palavras do sismólogo.

As vibrações geradas pelo movimento cadenciado do público são transmitidas como ondas sísmicas. Díaz mede esses sinais em partidas de futebol, mas também em shows, como os de Bruce Springsteen e do U2 realizados nos últimos anos no Camp Nou. “Se você compara as vibrações, vê que têm propriedades diferentes. Pular e dançar não são a mesma coisa”, explica. Esta peculiar “sismologia urbana” permite aos pesquisadores estudar como se propagam as ondas e tentar compreender melhor os eventos sísmicos naturais, ressalta Díaz.

O sismólogo Jordi Díaz mede esses sinais em partidas de futebol, mas também em shows, como os de Bruce Springsteen e do U2

O sismólogo, do CSIC, trabalha com várias redes de observação sísmica, tanto na Espanha, com o projeto Mistérios, como em outros países. No caso do Camp Nou, reconhece que seria muito difícil calcular a magnitude do tremor de quarta-feira, pelo tipo de sinal. “É uma vibração que as pessoas não notariam a uma centena de metros, porque se atenua logo”, afirma. Por ora, seu sismograma é apenas uma curiosidade científica.

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