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Gravação da caixa-preta não aponta “anormalidade” em avião em que Teori viajava

Comunicado é da Aeronáutica, que analisa aparelho com os últimos 30 minutos do voo

Equipes de resgate próximo aos destroços do avião, na sexta-feira
Equipes de resgate próximo aos destroços do avião, na sexta-feira REUTERS

As primeiras análises das gravações registradas na caixa-preta da aeronave na qual viajavam o ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, e mais quatro pessoas, apontam que o avião não sofreu falha antes de cair no mar do Paraty na última quinta-feira matando todos seus ocupantes. “Os dados extraídos não apontam qualquer anormalidade nos sistemas da aeronave”, disse em nota a Força Aérea Brasileira.

Durante os 30 minutos de gravação que foram recuperados — quase a totalidade do voo ­—, o piloto, Osmar Rodrigues, não relatou nenhum problema mecânico e mencionou, em conversas com outros pilotos que sobrevoavam a região, que aguardaria a chuva cessar para poder pousar, segundo publicou a Folha de S. Paulo. Rodrigues também teria tentado pousar duas vezes antes de cair no mar, segundo o Jornal Hoje, da TV Globo. A gravação, segundo a TV, sugere que não houve pânico antes da queda e nenhum alarme sonoro foi ativado. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), responsável pela investigação dos acidentes aéreos no Brasil, não quis confirmar ou desmentir estes detalhes.

O aeroporto de Paraty, que não conta com torre de controle nem radares que permitam o pouso por instrumentos, torna-se um lugar arriscado quando a visibilidade é ruim, segundo especialistas consultados pelo EL PAÍS. Em outros aeroportos mais modernos, o piloto consegue se orientar pelas indicações do painel de controle da aeronave quando não enxerga corretamente a pista, mas no caso de Paraty a aterrissagem é totalmente visual.

A caixa-preta ou gravador de voz, fundamental para elucidar as causas de acidentes aéreos, foi encontrada na sexta-feira no mar e enviada à sede do Cenipa em Brasília. Um parte do aparelho, a que continha os cabos de conexão, foi danificada pelo contato com a água salgada, mas isso não impediu que a equipe técnica conseguisse recuperar as gravações registradas durante os cerca de 40 minutos de voo que saiu de São Paulo com destino a Paraty, a cerca de 250 quilômetros do centro do Rio de Janeiro.

A memória do aparelho contêm quatro canais de áudio, um do piloto, um do copiloto (que não havia), uma de área da cabine (onde viajava o ministro e seus acompanhantes) e o quarto do engenheiro de voo ou comissário, que tampouco havia nesse voo. O chefe da divisão de operações do Cenipa, Coronel Marcelo Moreno, informou em nota que as gravações da caixa preta permitirão identificar não apenas a comunicação do piloto, como outros ruídos que possam identificar o que aconteceu na aeronave antes da sua queda, como um início de descida. "Nós analisamos sons diferentes, em que possamos identificar, hipoteticamente falando, o ruído de um trem de pouso sendo baixado, a aplicação de algum grau de flap [partes móveis das asas de um avião] ou outro equipamento aerodinâmico da aeronave", explica o coronel.

As investigações abertas, tanto pela Polícia Federal, a Polícia Civil como pelo Ministério Público Federal, devem correr em sigilo por ordem judicial decretada nesta segunda-feira. Já as do próprio Cenipa, embora suas conclusões devam ser públicas, estão blindadas por lei.

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