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Penitenciária de Natal é dividida por containers para separar facções

Instalação de 16 containers é provisória até que a construção de um muro seja finalizada no presídio

Rebelião presídio Alcaçuz em Natal
Os containers sendo instalados neste sábado em Alcaçuz. REUTERS
Nísia Floresta (RN)

A porta do presídio de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, amanheceu com um movimento atípico neste sábado. O que era para ser um dia de visitas aos detentos virou um entra e sai de caminhões que levavam para dentro da penitenciária imensos containers. Eles servirão de barreira para separar os membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte (RN), que estão em confronto há uma semana no local.

Os 16 containers são provisórios, de acordo com o Governo do Estado. Devem garantir o isolamento dos presos enquanto um muro será construído ali. As placas modulares já estão sendo fabricadas, mas não há previsão de quando o muro ficará pronto. Com a instalação dos containers, os pavilhões 4 e 5 (também chamado de Penitenciária Rogério Coutinho Madruga), dominados pelo PCC, ficarão de um lado, e os pavilhões 1, 2 e 3, dominados pelo RN, ficarão do outro.

A instalação dos containers ocorreu no segundo dia de trégua dos detentos e quando se completa uma semana da chacina que terminou com ao menos 26 mortos. Contudo, um policial que esteve no local durante toda a semana assegurou à reportagem que esse número é muito maior. "Tem mais de 100 mortos", ele disse, sem se identificar. Até o momento, 22 corpos foram identificados.

Enquanto escavadeiras e caminhões trabalhavam, equipes da companhia de esgoto e do Instituto Médico Legal realizavam buscas de outros possíveis corpos que podem estar pelo presídio e não foram contabilizados pelo Governo. Até o fechamento desta reportagem, duas cabeças haviam sido encontradas nas fossas da penitenciária. Na quinta-feira, houve uma nova batalha entre as facções rivais terminando com outros mortos, mas o número não foi divulgado pelas autoridades ainda.

Cada uma das facções reivindica que a rival deixe Alcaçuz. O muro, portanto, seria uma medida provisória dentro do barril de pólvora em que o presídio se transformou. Em entrevista coletiva no final da tarde deste sábado, o comandante da Polícia Militar, coronel André Azevedo, disse que os detentos continuarão circulando livremente por fora das celas, já que não há mais grades nos pavilhões, e que em ambos os lados da barreira de containers o controle do presídio é dos internos, "como já era antes". "Agora temos uma barreira para evitar que se digladiem. Esse é o primeiro passo para que não tenha uma guerra campal", disse.

Nesta sexta-feira, o governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD), afirmou em uma entrevista coletiva que o plano, a médio prazo, é de desativar a penitenciária. "Estamos construindo dois novos presídios no Estado e um terceiro deve ser feito, com dinheiro do Governo Federal do Fundo Penitenciário", disse. "Se tiver condição com esses novos presídios de apagar a história maldita de Alcaçuz, iremos acabar com Alcaçuz". Para ele, a penitenciária foi um "equívoco", já que foi construída em cima de dunas, em meio a uma área turística da região metropolitana de Natal.

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