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Confronto em Alcaçuz deixa mortos e feridos enquanto Natal espera soldados

Penitenciária tem novas cenas de guerra entre facções no sexto dia de tensão. Do lado de fora, 26 ônibus foram queimados e dez pessoas foram detidas

Detentos no confronto em Alcaçuz nesta quinta. REUTERS
Nísia Floresta (RN)

O sexto dia de confrontos na penitenciária de Alcaçuz, na região metropolitana de Natal, terminou novamente com detentos mortos e feridos. A secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Norte confirma a informação, mas ainda não contabilizou o número de vítimas desta guerra entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte (RN), cujo epicentro se deu no último sábado.

Enquanto detentos se digladiavam dentro do presídio, Natal esperava pela chegada dos soldados da Força Nacional para conter a violência que desde a quarta-feira havia extrapolado os muros de Alcaçuz. De lá para cá, ao menos 26 ônibus foram incendiados na cidade e em suas adjacências. Ao menos dez pessoas foram detidas, algumas em flagrante tentando colocar fogo em ônibus, outras com drogas e celulares onde se viam, segundo a secretaria de Segurança Pública, mensagens de ordem para os atentados vindas do RN. Um homem morreu por ação da polícia quando tentava atear fogo em um ônibus em Natal. E outro foi detido no entorno de Alcaçuz, tentando arremessar munição para dentro do presídio, no pavilhão onde fica o PCC.

Os atentados aos ônibus ocorreram em resposta à transferência de 220 detentos do RN na tarde de quarta para outros presídios. O Estado não divulgou uma lista com os nomes dos internos que foram transferidos, o que causou revolta e angústia nos familiares que fazem vigília do lado de fora da penitenciária desde sábado.

Ao longo de todo o dia desta quinta-feira, detentos das duas facções se instalaram em cima dos telhados, queimaram colchões e usaram facões e outras armas brancas para o confronto com os rivais. Por horas a polícia tentou contê-los usando bombas e balas de borracha disparados das guaritas, mas não foi o suficiente. No final do dia, agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) e do Choque adentraram o presídio e a situação, olhando de fora, parecia mais contida. Os policiais passarão a noite em Alcaçuz.

Na manhã desta sexta-feira, segundo a secretaria de Segurança Pública, serão iniciados os trabalhos para a construção de um muro para isolar os pavilhões das facções rivais. O muro é uma das medidas emergenciais anunciadas na terça para conter os confrontos. Asfaltar o entorno do presídio e contratar em caráter emergencial 700 agentes também faz parte do plano

Do alto

Alcaçuz fica em uma região de dunas, a 50 quilômetros do centro de Natal, no município de Nísia Floresta. Do alto de uma duna, é possível ver o que acontece dentro do presídio. Durante a batalha desta quinta, as mulheres dos detentos assistiam do alto, enquanto contavam para eles, do celular, sobre as movimentações dos rivais. Os internos permaneciam em cima dos telhados para poder ver o que acontece nos pavilhões rivais. Muitos acenavam para as mulheres.

Por fora é possível ter alguma ideia do grau de destruição do presídio. Pouco restou das telhas dos pavilhões, um deles – o pavilhão 3 – foi queimado nesta tarde, as paredes estão pichadas com as iniciais das facções. As celas não existem há muito tempo, desde antes de esta guerra ser iniciada.  A batalha do sábado deixou 26 mortos e o balanço macabro seguia inconcluso depois da nova jornada de confrontos. Até esta quinta, do total do sábado, 23 corpos haviam sido identificados. Os outros três foram carbonizados e devem levar um tempo maior para a identificação.

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