Temer anuncia sua primeira ministra após queda controversa na AGU

Grace Mendonça assume posto deixado por Fábio Medina, que teve passagem tumultuada pela AGU

Grace Mendonça em frente ao STF.
Grace Mendonça em frente ao STF. AscomAGU

Após ser muito criticado por apresentar um ministério sem sequer uma mulher, o presidente Michel Temer anunciou nesta sexta-feira que convidou Grace Maria Fernandes Mendonça para assumir a Advocacia Geral da União (AGU). Servidora de carreira da AGU, Mendonça chega ao posto após uma tumultuada passagem de Fábio Medina Osório pelo cargo. O ex-advogado-geral da União sai de cena sob ruídos da Operação Lava Jato, que danificou o Governo Temer em suas primeiras semanas, antes de o processo de impeachment de Dilma Rousseff ser concluído, em agosto.

Mendonça, advogada da União desde 2001, também será a primeira mulher a assumir a AGU. Mineira de Januária, a especialista em direito processual civil foi entre 2003 e 2016 responsável por representar a União no Supremo Tribunal Federal, onde fez sustentações orais em mais de 60 processos. Entre os trabalhos de mais destaque na carreira da advogada, está a defesa da constitucionalidade da Lei Maria da Penha.

A ascensão da nova ministra encerra meses de rumores de que Fábio Medina poderia deixar a AGU. Eles existem, aliás, desde o conturbado início da gestão peemedebista, quando três ministros caíram em episódios relacionados à Lava Jato, incluindo as fartas gravações do delator da operação Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. À época, Medina chegou a dizer em entrevista à Rádio Gaúcha, que estava sendo perseguido. "Não estou deixando [a AGU]. Fomos surpreendidos com essa notícia no Blog do Moreno e em outros veículos. É uma série de ataques que estamos sofrendo. Coincidentemente, logo agora, após havermos ajuizado ações bilionárias contra uma série de empreiteiras, no montante de R$ 12 bilhões para recuperar ativos dos cofres públicos. E no momento em que estamos reforçando a equipe da AGU para combater a corrupção, na Operação Lava Jato". Medina também foi criticado internamente por supostamente perder o prazo de defesa do Governo no Supremo Tribunal Federal no processo que questionava as mudanças de Temer no comando da EBC. Ele também teria causado desconforto ao tentar voar em jatinhos da FAB.

Ainda assim, Fábio Medina permaneceu no cargo por quatro meses. Mas a sombra da Lava Jato, que permanece rondando o Governo, parece ter feito mais uma vítima. Circularam com mais intensidades na quinta-feira notas sobre os desentendimentos entre o então advogado-geral da União e o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Segundo as informações, que são contraditórias, ou Medina estaria procurando atuar diretamente com investigadores da Lava Jato, em busca de protagonismo político, ou estava simplesmente cumprindo seu dever ao dar encaminhamento a processos que poderiam prejudicar o Governo politicamente.

Nesta sexta-feira, enquanto a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República informava o convite a Grace Mendonça, Eliseu Padilha tuitava sobre o assunto. "O Presidente Michel Temer nomeou para a AGU a Doutora Grace Mendonça, com respeitável atuação no STF, em defesa da União, há 15 anos", escreveu Padilha. Em outra mensagem, o ministro agradece ao "brilhante Adv. Fábio M Osorio, convidado por mim para o exercício do cargo, pelos relevantes serviços q prosseguirão na AGU".

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