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Marina Silva, de esperança à incerteza

Lançada ao centro da corrida eleitoral após a morte trágica de Eduardo Campos, candidata do PSB teve crescimento relâmpago, mas, na reta final, seu avanço ainda é uma dúvida

Marina faz campanha em São Paulo.
Marina faz campanha em São Paulo. EFE

Quatro anos após surpreender o país ao ocupar o terceiro lugar na disputa pela Presidência, conquistando 19,6 milhões de votos e se consolidando como a candidata da “terceira via”, Marina Silva foi, mais uma vez, a surpresa da eleição de 2014. Lançada ao centro da corrida eleitoral a dois meses do primeiro turno, após a morte trágica do presidenciável Eduardo Campos (PSB), de quem era vice, a ex-ministra do Meio Ambiente despontou rapidamente nas pesquisas, mas viu suas chances diminuírem nas últimas semanas após ser alvo de intensos ataques dos adversários – principalmente Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). Também a atrapalhou as polêmicas sobre questões como o recuo do apoio a bandeiras LGBT, a defesa da autonomia do Banco Central, a proximidade com polêmicos líderes evangélicos, e a frágil rede de apoio político.

Mas a campanha da ex-senadora apresentou dificuldades desde muito antes de sua confirmação como candidata. Fora do Partido Verde desde 2011, legenda pela qual disputou o Governo federal na eleição passada, Marina não conseguiu tirar do papel os seus planos de fundar um partido, a Rede Sustentabilidade, que teve o registro rejeitado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2013 por não conseguir obter o número mínimo de assinaturas – ela alegou, à época, que teve suas fichas invalidadas pelos cartórios eleitorais sem justificativa. Sem a Rede, teve de aceitar a alternativa: ser vice na chapa do ex-governador de Pernambuco, filiando-se ao PSB. Mas embora a indicação de seu nome tenha sido um consenso com a morte de Campos, a sigla atravessa uma briga interna por poder, o que prejudicou a campanha à Presidência. Também gerou dúvidas sua capacidade de firmar alianças no Congresso, já que o partido – que até então compunha a base de apoio da presidenta Dilma – não ter grande alcance nacional.

Mais grave do ponto de vista do eleitorado, porém, foram as polêmicas já durante a campanha oficial. A primeira delas foi a retirada de uma das propostas que mais havia chamado a atenção em seu programa de governo: o apoio à legalização do casamento gay. Horas depois de ter sido cobrada pelo pastor Silas Malafaia, que reclamou em seu Twitter, ela excluiu o ponto de sua lista de propostas e atribuiu a inclusão a um erro da equipe. O recuo foi recebido com indignação por ativistas homossexuais, foi alvo de críticas dos adversários e provocou, mais recentemente, a retirada do apoio do ator norte-americano Mark Rufallo a sua candidatura.

Marina também foi bastante questionada sobre sua aliança com educadora Neca Setubal, herdeira do Itaú e coordenadora de seu programa de governo. Na TV, a campanha petista acusou a ex-ministra de defender a autonomia do Banco Central para agradar os banqueiros. E, sob esse argumento, levantou dúvidas sobre a quem serve o programa liberal da candidata.

Ex-militante histórica do PT, partido o qual ajudou a fundar e no qual permaneceu até 2009, Marina se tornou alvo principal dos ataques da campanha petista, que praticamente ignorou Aécio Neves e, na TV e no rádio, mirou suas forças para tentar minar suas chances de crescimento. Dizendo-se injustiçada, ela chegou a chorar, em entrevista, ao comentar as declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem foi ministra durante cinco anos.

Os ataques, entretanto, parecem ter dado resultado. Às vésperas do primeiro turno, Marina Silva ainda é uma dúvida. Pesquisas de intenções de voto divulgadas neste sábado apontam um empate técnico entre ela e o concorrente tucano no segundo lugar, mas sua recente tendência de queda e o recente crescimento de Aécio comprometem sua ida ao segundo turno e podem adiar, mais uma vez, seus planos de governar o Brasil.

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