Benedicto XVI

Bento XVI: “Quem quer que se oponha ao casamento homossexual ou ao aborto é socialmente excomungado”

Papa emérito afirma em um livro lançado nesta segunda-feira na Alemanha que a sociedade moderna está em processo de “formular um credo anticristão”

Papa Francisco visita Bento XVI no Vaticano em dezembro de 2018.
Papa Francisco visita Bento XVI no Vaticano em dezembro de 2018.Vatican Media / Reuters

“Cem anos atrás, todo mundo teria achado absurdo falar em casamento gay. Hoje, todo aquele que se opuser a ele é excomungado socialmente", diz Bento XVI em um livro lançado nesta semana na Alemanha. “O mesmo se aplica ao aborto e à criação de seres humanos em laboratório”, acrescenta o Papa emérito na entrevista que encerra a biografia Bento XVI - Uma Vida, com mais de mil páginas e escrita pelo jornalista Peter Seewald.

Bento XVI também expressa seu temor “do poder espiritual do Anticristo” e assegura que a real ameaça atual à Igreja vem de “uma ditadura mundial de ideologias aparentemente humanistas”. O Papa emérito, que anunciou sua renúncia ao pontificado em 11 de fevereiro de 2013, também aproveita o capítulo final do livro para se referir ao setor crítico que o acusa de participar de debates teológicos, minando a autoridade de seu sucessor, o papa Francisco. “A afirmação de que eu me intrometo regularmente em debates públicos é uma tergiversação maligna da realidade”, diz. Além disso, garante que sua amizade com o atual pontífice se fortaleceu: “Não só tem sido constante, mas cresceu”.

O livro Bento XVI - Uma Vida vai da infância e carreira acadêmica de Joseph Ratzinger até seu pontificado em 2005 e sua renúncia voluntária. Também revela detalhes da vida pessoal. “Alguma vez amou uma garota?”, pergunta o jornalista. Ao que o Papa emérito responde: “Talvez”. “Isto é um sim?”, insiste Seewald. “Pode ser interpretado dessa maneira”, acrescenta Bento XVI, especificando que não durou algumas semanas nem alguns meses, mas “mais tempo”.

Mais informações