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Google explica por que Trump aparece ao buscar ‘idiota’

Sundar Pichai, CEO da gigante de tecnologia, foi convocado a explicar os resultados no buscador ao Congresso dos EUA

Diretor executivo de Google, Sundar Pichai.EPV

Os brasileiros vidrados em novelas agora seguem, capítulo a capítulo, uma trama onipresente: os Bolsonaro. O pai, Jair, toma posse como presidente do Brasil no dia 1º de janeiro, mas não só. Os filhos Flávio, Eduardo e Carlos – senador e deputado no Legislativo Nacional e vereador no Rio de Janeiro, respectivamente– sobem juntos ao poder. O quarteto forma uma poderosa dinastia, inédita mesmo num país de oligarquias políticas arraigadas, que foi angariando fãs para, juntos, ter um império de 15 milhões de seguidores pelo Facebook, Twitter e Instagram. Guardadas as proporções, são uma espécie de Kardashian da política. Tudo que falam e tocam vira notícia e tendência, assim como acontece com as socialites americanas. Nos dois casos, o público tem seus personagens preferidos em cada clã, especula sobre suas performances e papéis no futuro. Mas, à diferença das Kardashian ou mesmo do início da carreira de Donald Trump, a origem não foi um reality show de TV tradicional. O espetáculo nasceu, acontece e tem as mensagens moduladas para cada plataforma digital, o que agora passam por um teste chave: ser celebridade e governo ao mesmo tempo.

Bolsonaro comandou sua campanha vitoriosa recorrendo a lives no Facebook onde não faltavam exibição de intimidade - como exibir a bolsa de colostomia que carrega após o atentado a faca que sofreu em setembro -, ataques virulentos aos adversários e ofensas, ou reforço da imagem de que é um homem simples. Os filhos, com menor e maior habilidade, exploram o mesmo caminho. Comentam sobre o futuro Governo e agem como se fizessem parte do gabinete mesmo sem nenhum cargo formal.

As intervenções familiares têm incomodado alguns dos assessores presidenciais. Integrantes do braço militar da gestão Bolsonaro (ele terá sete ministros de origem militar, além do vice) tem dito nos bastidores que os filhos do capitão da reserva terão de amadurecer. “Uma coisa é estar em campanha e fazer oposição. Outra é ser governo. Tem de pesar tudo o que se diz para que não tenhamos nenhum desgaste”, afirmou um desses militares ao EL PAÍS.

Os primeiros sinais de ajustes já aparecem no caso de Flávio, de 37 anos, o primogênito. Ele é considerado o mais comedido e centrado do trio de filhos, apesar de já ter feito discursos radicais contra homossexuais, como o pai. Fez carreira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde ocupa o cargo de deputado estadual há quatro mandatos. Tinha tudo para despontar já no início de 2019 como uma liderança no Senado, para o qual foi eleito em outubro. Mas as suspeitas que pesam sobre as movimentações financeiras de um ex-assessor e amigo da família o deixaram mais à sombra do que à luz. Antes da crise, Flávio andava para cima e para baixo com o pai. Usava as redes sociais quase todos os dias. De repente, sua aparição foi rareando. Entrevistas quase não as concede mais. No Senado, a aposta é que atue mais nos bastidores do que na linha de frente, ao menos em um primeiro momento.

Eduardo, de 34 anos, o terceiro filho, é um dos que mais tem se aproveitado da fama de seu sobrenome. Ex-policial federal, surfista amador e ex-modelo, foi eleito com a maior votação da história para um deputado federal, 1,8 milhão de votos (tem 2,2 milhões de seguidores no Instagram). Construiu uma rede com direitistas de vários países e, no início de dezembro, promoveu a Primeira Cúpula Conservadora das Américas. Na ocasião, na tríplice fronteira Brasil-Paraguai-Argentina, em Foz do Iguaçu, aproveitou dos holofotes para pedir a sua namorada, Heloisa Wolff, em casamento. “Queria que esse momento fosse inesquecível também para mim”, disse na ocasião, enquanto dezenas de celulares dos espectadores eram erguidos para registrar o momento. É uma espécie de chanceler paralelo. Na última sexta-feira, por exemplo, ele foi um dos poucos que esteve ao lado do presidente eleito com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu.

O outro acompanhante de Jair no encontro com Netanyahu foi o filho Carlos, de 36 anos, vereador pelo Rio há 17 anos. Chamado pelo pai de “meu Pitbull” em sua mensagem de aniversário deste ano (nas redes, claro), ele é apontado como o mais leal, intenso e conflitivo do trio de filhos políticos. Era o responsável pelas redes sociais durante as eleições presidenciais. Deixou a função depois de um entrevero com outros assessores bolsonarianos. Retomou o seu mandato de vereador no Rio, diminuiu suas viagens a Brasília, mas, por trás das cortinas, contudo, segue atuando. É o mais parecido com Jair Bolsonaro em termos de discurso radical contra "a esquerda" e a imprensa. “Canalha” parece ser sua palavra favorita. Cobra constantemente a elucidação do atentado do qual o presidente eleito foi vítima e não poupa nem o círculo mais íntimo: “A morte de Jair Bolsonaro não interessa somente aos inimigos declarados, mas também aos que estão muito perto", insuflou.

Há sinais de que boa parte da atuação é coreografada, como a insistência em símbolos populares que os afastem de uma elite tradicional. A chegada ao poder deve trazer mais holofotes para a futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro, uma ex-assessora parlamentar especialista na linguagem de surdos, e para os outros dois filhos de Bolsonaro fora da política, Renan Jair, de 20 anos, e a caçula Laura de 8 anos –inglória por ter sido descrita pelo presidente como "uma fraquejada" por ser a única mulher.

Em alguns dos grupos de WhatsApp criado por bolsominions circula uma brincadeira, segundo a qual em 2026 Eduardo Bolsonaro será eleito presidente, sucedendo o seu pai que seria reeleito 2022. E, em 2034, após cumprir oito anos no Planalto, acabaria sendo coroado como o Rei Eduardo I. Se na prática esse projeto de poder não foi desenhado nem entre a família presidencial, no mundo fantástico das redes, ele já foi pintado.