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Francisco continua a mudança

O Papa abre as portas para a transformação da Igreja com ‘Amoris Laetitia’

Francisco durante audiência pública na Praça São Pedro, no Vaticano.
Francisco durante audiência pública na Praça São Pedro, no Vaticano.ALESSANDRO DI MEO (EFE)

Com a publicação nesta sexta-feira do seu mais recente documento sobre a família –a exortação apostólica Amoris Laetitia--, o papa Francisco voltou a demonstrar a habilidade que, em linhas gerais, tem caracterizado o seu pontificado. O texto, que nutria fortes expectativas dentro e fora da Igrejas católica por tratar de questões não-resolvidas pela Igreja em relação à sociedade –a organização da estrutura familiar--, opta pela busca do consenso entre as diferentes correntes, em vez de assumir riscos que poderiam levar a confrontos diretos.

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Sem ser extremamente concreto –por exemplo, no caso da comunhão dos divorciados, ele pede flexibilidade aos sacerdotes para que “os integrem às comunidades” e para que “expressem sua participação em diferentes ofícios da igreja”--, o sentido o documento é suficientemente amplo para permitir uma mudança prática real na postura da instituição sem alterar a doutrina geral. E embora há quem considere que se trata de uma alteração apenas cosmética, as 261 páginas em espanhol da La Alegria del Amor [A Alegria do amor] podem inaugurar uma importante mudança de rumo na Igreja em relação a questões polêmicas sem com isso desencadear uma ruptura.

Tanto neste documento quanto em muitas outras de suas ações, Francisco optou por uma estratégia interessante de exercício do poder. A busca do consenso gera críticas e pode parecer inútil em curto prazo; mas, no final, é a mais eficiente.