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Alerta de recessão

A crise dos mercados traz desconfiança sobre o crescimento global

Empresários caminham junto a telas que mostram informação da Bolsa em Tóquio.
Empresários caminham junto a telas que mostram informação da Bolsa em Tóquio. EFE

O medo de uma nova recessão (ou uma continuação da anterior) está sacudindo como um vendaval os mercados. As bolsas estão caindo ruidosamente (a Ibex à frente, com uma queda de 4,4% na segunda-feira e quase 3% no meio da tarde de terça-feira, enquanto o Japão caiu mais de 5%), enquanto os prêmios de risco voltam a surgir depois de meses de calma. São sinais inequívocos de que não estamos enfrentando correções momentâneas dos mercados, mas uma situação de aguda falta de confiança dos investidores que, ao menor descuido, pode se transformar em pânico. A principal causa deve ser procurada no fato de que poucos investidores acreditam agora que a China vai tomar medidas eficazes para restabelecer o crescimento e cortar a hemorragia de capitais. É a razão de fundo, mas não é a única.

A crise do preço do petróleo, persistente e inoportuna (que também foi muito influenciada pela situação chinesa), e a expectativa de aumento do dólar agravam ainda mais a confiança dos investidores, porque as duas forças combinadas vão causar forte depressão nas economias emergentes. Algumas de peso no mundo, como a Rússia, e outras à beira da intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI), como a Venezuela. Estes traços tão pessimistas provavelmente seriam recebidos com menos preocupação se a economia global experimentasse um crescimento firme e contínuo, e se o emprego de qualidade tivesse se recuperado a taxas aceitáveis nos países da OCDE. Mas não é o caso.

A área monetária do iene está desconcertada, porque a Abenomics parece travada depois de um início promissor. O caso da Europa, por sua capacidade de tração, contém um dramatismo especial. A zona do euro conseguiu articular uma política monetária expansiva, mas não consegue orquestrar uma política econômica adequada para combater uma recessão.

E, no entanto, a Europa seria a primeira na linha de vítimas de uma nova crise. Em primeiro lugar, devido à ausência de um Governo unificado para a área econômica e que possa tomar decisões fiscais. E segundo, porque vários países do euro ainda não conseguiram reduzir sua dívida pública para níveis protegidos contra outra eventual convulsão da dívida; é o caso da Espanha, por exemplo. Se acontecer uma nova crise financeira, a Europa poderia passar mais cinco anos em depressão.

O primeiro passo para enfrentar o risco é que os Governos europeus estejam conscientes da volatilidade dos mercados e da ameaça que ela representa para a economia financeira e para a economia real. A partir desse reconhecimento, as autoridades precisam admitir a urgência de impulsionar o crescimento na zona do euro. É preciso mais investimento, diferentes políticas fiscais e políticas de rendas mais expansivas.

Os Governos têm a obrigação de pedir calma, de espalhar tranquilidade. Para fazer isso, convencer as pessoas de que entendem o problema e estão dispostos a encontrar uma solução. E isso é precisamente o que está faltando agora.

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