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Desserviço à Argentina

Cristina Kirchner prejudica o país e complica ainda mais os desafios de Macri

Mauricio Macri, junto a sua esposa Juliana Awada e com sua filha Antonia nos braços, na varanda da Casa Rosada.
Mauricio Macri, junto a sua esposa Juliana Awada e com sua filha Antonia nos braços, na varanda da Casa Rosada.JUAN MARCELO BAIARDI (AFP)

O kirchnerismo e sua líder, a agora ex-presidenta Cristina Kirchner, declararam guerra a seu sucessor, o liberal Mauricio Macri, desde o primeiro dia de seu mandato. É assim que deve ser entendido o boicote desta quinta-feira à transferência democrática de poder, em que ordenou a seus fiéis que não comparecessem à cerimônia de posse presidencial no Congresso e se recusando a entregar a Macri, como manda a tradição, a faixa presidencial na Casa Rosada.

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O ato de hostilidade, inédito na história argentina, não é apenas um caprichoso desprezo de mau perdedor às regras do jogo democrático, essenciais para a convivência pacífica de uma sociedade, mas também agrava a divisão política da Argentina e prejudica a imagem no exterior da nação latino-americana no momento em que mais precisa de apoio internacional.

O gesto de Cristina indica uma oposição frontal ao novo Governo e uma tensão desnecessária para o desenvolvimento democrático da Argentina. Assim, só resta esperar que das próprias fileiras do peronismo surja uma ala responsável e madura capaz de exercer uma oposição construtiva para o bem de todos os argentinos e com o devido respeito que merecem os cidadãos que escolheram livremente pela mudança.

Um final ruim para a ex-presidenta, por maior que fosse a despedida, e um desnecessário mau começo para seu sucessor, que terá de apresentar extraordinária inteligência e habilidade política para pilotar a Argentina em seu novo rumo. Além de lutar contra a pobreza e o tráfico de drogas — prioridades apontadas nesta quinta pelo presidente — os males da economia precisam de remédios urgentes e requerem paciência e um consenso sobre os objetivos. O primeiro de todos é suspender o controle cambial para ajustar o real valor do peso; depois, controlar a inflação, já superior a 28%; em seguida, atrair investimentos estrangeiros que permitam aumentar as sofríveis reservas internacionais, e, finalmente, acabar com os excessos do protecionismo kirchnerista.

Macri chega ao poder com uma Argentina "cansada de enfrentamentos inúteis", como disse nesta quinta, e que deseja uma mudança tranquila. As expectativas são altas; cumpri-las exigirá unidade e respeito à transparência e às regras democráticas. Que não as defraude o rancor, a prepotência, a corrupção e outros vícios da velha política.

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