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Draghi defende o euro

É preciso que a Europa avance na união fiscal

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, participa de congresso do setor bancário em Frankfurt (Alemanha) em 20 de novembro.
O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, participa de congresso do setor bancário em Frankfurt (Alemanha) em 20 de novembro.FREDRIK VON ERICHSEN (EFE)

Mario Draghi está disposto a se tornar o salvador do euro. Seu aviso de que fará tudo que for preciso “para elevar a inflação o mais rápido possível” reproduz as conhecidas palavras mágicas que estancaram a crise da dívida (com a economia espanhola na corda bamba). Draghi tem que sair o tempo todo em defesa do euro simplesmente porque a zona monetária europeia carece de outros instrumentos de política econômica para controlar a situação. Sem avançar na união fiscal e com muito pouca coordenação no espinhoso tema das dívidas nacionais, sobram apenas os remédios que podem ser oferecidos pelo Banco Central Europeu, tolhido além disso pelos contínuos obstáculos vindos da Alemanha, por meio do Bundesbank.

As palavras de Draghi foram interpretadas, corretamente, como o desejo do BCE de intensificar as medidas de compra de dívida (quantitative easing) que a autoridade monetária europeia já vem aplicando. Comprar mais ativos, caso seja necessário; e de qualidade menos comprovada, se preciso. O problema do BCE nesse caso é que, infelizmente, a baixa inflação (ou, diretamente, deflação, em alguns países) resiste a mudar de tendência. Até hoje, a autoridade monetária vem gastando volume significativo de dinheiro sem que tenham sido obtidos resultados consideráveis. A inflação reluta em subir até a linha de controle (crescimento de 2%), e isso mina a confiança nos instrumentos do BCE.

Draghi pode fazer mais, é claro, mas para qualquer observador está claro que chegará um momento (próximo) em que o grosso da tarefa terá sido feito, e então será preciso avançar em algumas decisões de união fiscal e securitização da dívida. Até os alemães mais reticentes têm que aceitar os fatos: a zona do euro tem crescimento fraco, e a deflação ameaça afundar os precários alicerces sobre os quais se sustenta.

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