Novo iPad

O novo iPad que quer acabar com o PC

Começa nesta quarta-feira prazo para reservar pela internet a compra do tablet iPad Pro

O tablet iPad Pro durante apresentação em 9 de setembro.
O tablet iPad Pro durante apresentação em 9 de setembro.Josh Edelson (AFP)

Em junho de 2010, Steve Jobs deu o primeiro aviso de que o PC iria morrer nas mãos do iPad: “Os PCs serão como os caminhões. Continuarão a existir, mas apenas uma parcela pequena da população precisará deles”, disse durante um encontro sobre design. De seu ponto de vista, eles se tornariam equipamentos concebidos apenas para algumas tarefas bastante concretas. Passaram-se cinco anos, contudo o que se estagnou foi a venda de tablets. O iPhone é o líder absoluto das vendas da Apple, representando 60% de sua receita, e mudou completamente a indústria da telefonia. Em sua visão desta era pós-PC, ele apostava também em uma relação mais humana com a tecnologia: “Cria-se um vínculo mais direto e íntimo com a Internet, os meios de comunicação, os aplicativos e seus conteúdos”.

Em declarações ao The Telegraph, o atual presidente da Apple, Tim Cook, se apoia na mesma visão de seu mítico fundador para impulsionar as vendas do iPad Pro: “Por que comprar um PC? Falando sério, por que você compraria um? Para muita, muita gente, o iPad Pro é um substituto e tanto para o portátil quanto para o equipamento do escritório. As pessoas vão começar a usá-lo e chegarão à conclusão de que não precisam mais nada além dos telefones celulares”.

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Abre-se nesta quarta-feira o prazo para se reservar na Internet a compra do iPad Pro, segunda tentativa da Apple (já sem a presença de seu fundador) de fazer com que o PC desapareça, ao menos sob a sua forma portátil. O novo tablet chega às lojas no próximo fim de semana em mais de 40 países, dentre eles Espanha, México, Guatemala e Portugal, além dos Estados Unidos, é claro. Colômbia e Brasil não fazem parte da lista.

Risadas e rostos corados se multiplicaram durante a apresentação do equipamento, em setembro, quando um executivo de seu inimigo número um há 20 anos subiu ao palco. A Microsoft terá como grande novidade seu pacote de programas de trabalho, o Office, pronto para sugar o máximo possível do equipamento.

Esta não é a única parceria com fabricantes de software, ao contrário. E isso será crucial para o seu sucesso ou fracasso. Em nota oficial, Scott Belsky, vice-presidente da Adobe, criadora do Photoshop, apostou no novo tablet: “O iPad Pro possibilita novas formas de criatividade móvel que ajudarão a transformar a maneira como as pessoas criativas trabalham. Graças à tela maior do iPad Pro e a seu desempenho excepcional, os criativos poderão aproveitar completamente a família de apps móveis Creative Cloud da Adobe. Por exemplo, a capacidade de trabalhar com imagens de 50 megapixels no iPad Pro com o Photoshop Fix e enviar depois essa imagem ao Photoshop CC no computador de mesa para continuar trabalhando com elas, é o tipo de colaboração que faz a indústria avançar e da qual milhões de usuários da Adobe e da Apple se beneficiarão”.

Quando a Apple apresentou o primeiro iPhone, em junho de 2007, Jobs fez algumas afirmações polêmicas: “Quem é que vai querer um palito?”. Pois agora a sua empresa mudou de ideia. Aquele comentário irônico fazia referência à Samsung, seu principal concorrente, mas também ao fabricante líder da época, o Palm, com seu Treo 700p. O novo equipamento vem com um teclado e um lápis ultrassensível que o tornam uma alternativa verdadeira ao computador. Além de sua tela maior.

O lápis também é resultado de parcerias no universo do design. Evi Meyer, presidente da 3D UMake, faz uma avaliação muito positiva: “O iPad Pro e o Apple Pencil são o novo caderno e o novo lápis. Graças ao seu uso simples e à sua poderosa capacidade de processamento, os designers poderão aproveitar estas ferramentas para potencializar sua experiência ao criar, e elevar, em última instância, o seu trabalho bidimensional ao nível de 3D”. A impossibilidade do desenho em três dimensões era, até agora, uma das grandes limitações dos tablets.

O processo, por enquanto, é semelhante ao de um computador de primeiro nível. O mais barato, com 32 gigas e wifi, custa 899 euros (cerca de 3,6 mil reais). O modelo com 128 gigas e conexão LTE chega a 1.299 euros (5,2 mil reais). A esses valores devem-se somar 109 euros (440 reais) do Pencil, o lápis ultrassensível, e o teclado a 179 euros (720 reais). As capas oscilam de 69 euros a 89 euros (240 reais a 360 reais). Nem o teclado nem o lápis são necessários para usar o tablet, dependendo da aplicação a ser utilizada.