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70 anos da ONU

Balanço da organização é positivo, apesar de o direito de veto ser um mecanismo obsoleto

Assembleia Geral da ONU, em 27 de outubro.
Assembleia Geral da ONU, em 27 de outubro.LUCAS JACKSON / REUTERS

O 70º aniversário da criação das Nações Unidas merece o reconhecimento a uma organização que desde o fim da Segunda Guerra Mundial serviu como o principal fórum de diálogo e discussão na arena internacional. Com seus sucessos e seus fracassos, a ONU é o espaço no qual todos os países conseguiram apresentar seus problemas, o canal de diálogo que — apesar das limitações e frustrações — serviu muitas vezes para esfriar a tensão e, até em algumas, evitar confrontos armados. Só por isso sua existência já é valiosa.

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Nunca foi fácil para a ONU. Herdeira da Liga das Nações, incapaz de evitar uma das maiores tragédias da história — a Segunda Guerra Mundial — e com a guerra fria marcando quase toda sua existência, soube se adaptar aos tempos e ser um instrumento útil para a mudança de um mundo colonial para uma era de nações independentes — processo realizando em grande parte sem guerras — e posteriormente, para uma sociedade interconectada em nível global. Claro que nesses 70 anos houve falhas, erros e escândalos; sua eficácia é questionável em muitas áreas, bem como a lentidão na tomada de decisões, e que o direito de veto dos cinco grandes no Conselho de Segurança provavelmente não corresponde a esses tempos. Mas no geral o saldo não é de todo negativo. A resposta à pergunta de como teria sido o mundo se a ONU não tivesse sido criada é: certamente pior.

Também comemoramos outro aniversário associado com a ONU: há 60 anos a Espanha é parte dela. O país que o secretário-geral da ONU visitou na semana passada — uma democracia moderna, estabelecida e comprometida com as liberdades — não tem nada a ver com aquela ditadura de 1955. Uma transformação que serve como um lembrete dos valores que as Nações Unidas representam.