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Microsoft apresenta seu primeiro ‘laptop’ para competir com a Apple

Empresa consegue que o celular Lumia funcione também com o Windows 10, como um PC

(reuters_live)

A Microsoft leva o novo sistema operacional Windows 10 no bolso –e em vários outros lugares. E aproveita para apresentar uma gama completa de aparelhos próprios, com o objetivo de dar unidade a todo o ecossistema Windows e atrair a atenção de um público que se debate entre Google e Apple, numa tentativa de demonstrar que consegue oferecer algo diferente ao mercado, como fez com o tablet híbrido Surface. Para isso, a empresa fundada por Bill Gates conseguiu fazer o celular Lumia funcionar como um computador e apresentou seu primeiro laptop, o Surface Book.

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O cenário escolhido para o lançamento foi o prédio central dos Correios em Nova York, um dos edifícios mais célebres da cidade, nos fundos do Madison Square Garden. Poderia ser o pretexto para anunciar que o aplicativo do Gmail chegaria aos usuários do Windows 10, assim como já é oferecido para o iOS da Apple. Mas o ataque ao duopólio veio por outras frentes, e foi impiedoso.

A primeira saraivada foi disparada com o Project X-Ray, para os óculos de realidade virtual Hololens. O sistema transforma qualquer cômodo da casa em um cenário para videogames, criando hologramas que interagem com os objetos reais. A segunda veio na forma de uma nova pulseira eletrônica ligeiramente mais larga, com um design que otimiza a tela, melhora a integração do assistente de voz Cortana e agrega um barômetro, para medir a elevação em tempo real enquanto o usuário se exercita.

Um telemóvel Lumia conectado a uma tela e um teclado, funcionando como um computador.
Um telemóvel Lumia conectado a uma tela e um teclado, funcionando como um computador.S. P.

Na cabeça do executivo-chefe Satya Nadella, esses aparelhos são peças de uma estratégia mais complexa, em que a produtividade é o pilar central da Microsoft. O Windows 10 está disponível há 10 semanas para download em computadores pessoais e tablets, com mais de 110 milhões de cópias já instaladas no mundo todo. Mas os verdadeiros rivais no mercado de dispositivos móveis são o iOS e o Android. Uma área na qual o Windows é praticamente inexistente.

Imitando um PC

O ataque principal, portanto, parte dos celulares Lumia 950 e 950 XL. A ideia é reinventar a categoria dos smartphones para torná-los mais produtivos. Os dois modelos, de 5,2 e 5,7 polegadas, incluem processadores Hexacore e Octacore, além de duas antenas para conseguir a melhor conexão possível. A câmera traseira tem uma resolução de 20 megapixels. A capacidade de armazenamento é de 32 gigas. Além disso, mantém a porta para o cartão de memória SD.

Com seu computador portátil, a Microsoft completa um ecossistema de produtos para que as novas gerações adotem o Windows 10

Toda essa potência permite ao novo Lumia funcionar como um computador pessoal. “Colocamos nossa alma nisso”, disse Panos Panay, vice-presidente da Microsoft para o Surface, na apresentação. “Queremos os dispositivos mais produtivos do planeta”, acrescentou. Graças a uma porta externa com seis conectores, o Lumia consegue imitar um computador de mesa quando conectado a um monitor e a um teclado. A experiência com o telefone não é interrompida, pois este funciona de maneira independente.

O salto para a produtividade é semelhante ao proporcionado pelo Surface Pro, um tablet concebido para substituir o notebook. A quarta versão é mais fina, com 8,4 milímetros de espessura. A tela tem 12,3 polegadas, igual ao modelo anterior, com resolução de 267 ppi (pontos por polegadas), num total de cinco milhões de pixels. O Surface Pro 4 é 30% mais potente. “O Mac Book Air é um produto magnífico, mas não o melhor”, disse Panos, que reservou o grande anúncio para o final.

Primeiro notebook

A Microsoft entra agora também na guerra dos notebooks, com uma máquina de 13,7 polegadas que pretende concorrer com o Mac Book Pro. Esse era um setor dado como morto com a chegada dos tablets, mas não para a Microsoft. O Surface Book, diz Panos, é duas vezes mais rápido que seu rival da Apple. A tela é tátil, com seis milhões de pixels e 267 ppi de resolução. Além disso, funciona com a caneta eletrônica do tablet, e o teclado pode ser desconectado.

O portátil Surface Book sai com o dobro de potência que seu rival da Apple, o Mac Book Pro

A Microsoft apostou há muito tempo nos tablets para profissionais. É um nicho do qual a Apple se manteve à margem até um mês atrás, quando lançou o iPad Pro. O novo Surface Pro e o Surface Book, ao se combinarem com o onipresente sistema operacional Windows, em princípio largam com vantagem para rebater as ambições da firma de Cupertino, com seu iPad Pro, e da sul-coreana Samsung. O Google também imita essa tendência com o tablet Pixel C, enquanto a Lenovo lança o Miix700.

O problema da Microsoft é que as novas gerações têm especial apreço pela Apple, e os Mac são os computadores preferidos dos jovens. O Surface Book procura, assim, encontrar a maneira de chegar a esse público, para que ele adote o Windows 10. Para isso, era preciso completar o ecossistema. O notebook da Microsoft será colocado à venda no dia 26, a 1.499 dólares (5.777 reais). No mesmo dia chega também o Surface Pro 4, por 899 dólares (3.464 reais). Os Lumia estarão disponíveis por 549 e 649 dólares respectivamente (2.116 e 2.501 reais), enquanto o bracelete sairá a 249 dólares (960 reais).