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Atualização Windows 10: o que há de bom e de ruim no sistema operacional

Com seu novo sistema operacional, a Microsoft dá um passo para trás e outro para frente

Ligue o computador depois da instalação e aí está ele: o menu Iniciar volta ao Windows 10. O desaparecimento desse elemento no Windows 8 fez com que alguns usuários do Windows 7, Vista ou até do obsoleto XP não quisessem atualizar seus sistemas: é uma das principais marcas de identidade do sistema desde a sua criação.

E se me arrependo de ter instalado o Windows 10?

O método para voltar atrás é diferente dependendo do sistema original, Windows 7 ou 8. As dicas estão aqui: http://windows.microsoft.com/pt-br/windows/preview-faq

Depois de uma semana trabalhando com o Windows 10 (disponível de graça a partir deste 29 de julho no Brasil para usuários de Windows 7 ou 8), a primeira coisa que chama a atenção no novo menu é que os ícones têm a estética do Windows 8. É possível modificar o tamanho deles e organizá-las em conjuntos, embora os puristas tenham a opção de eliminá-los e ficar com uma versão semelhante ao menu do Windows 7.

O computador usado para essa experiência foi um Mac Mini equipado com um processador Core i5 de 2,6 GHz, gráficos Iris Graphics da Intel, HD de 1 terabyte de 5.400 rpm e 8 gigas de memória RAM. Uma configuração que, sem ser básica, não é a de uma máquina muito potente.

O assistente de voz Cortana conta piadas

Outra das coisas importantes no Windows 10: o hardware não é um problema para quem atualiza a partir de versões anteriores. Os requisitos técnicos para funcionar são parecidos com os do Windows 7 e do Windows 8. No teste realizado, o sistema funcionou bem. Mesmo executando programas pesados, como o Photoshop.

Na verdade, ao realizar uma operação complexa com o Photoshop, a criação de uma imagem panorâmica de cinco fotos de 12 megapixels, o sistema demorou apenas 35 segundos. Um tempo praticamente idêntico ao que custou realizar a mesma operação no Mac OS X Yosemite.

Outra das características inovadoras do Windows 10 é o assistente de voz Cortana: é a primeira vez que um software desse tipo, já habitual em tablets, aparece em um computador. O Cortana não serve só para fazer perguntas sobre o clima ou pedir para fazer pesquisas na Internet ou uma rota em um mapa: também é capaz de abrir aplicativos, tomar notas ou até contar piadas. Sua lista de funções é bastante extensa.

A terceira característica central do Windows 10 é o novo navegador Edge. Apesar de ainda não estar maduro, é promissor. Segundo os testes da Microsoft, é um pouco mais rápido que o Chrome. Na prática, é difícil ter queixas sobre a velocidade com que carrega as páginas, mas ainda falta caminho a percorrer para que o Edge tenha, por exemplo, aplicativos próprios –como tem o Chrome– ou permita fazer coisas tão simples como mudar o motor de busca, pois só usa o Bing, o buscador da Microsoft. Além disso, é instável e falhas são comuns. Por isso, o Windows 10 continua vindo com o antigo, mas estável, Internet Explorer.

O Windows 10 é rápido: para criar uma imagem panorâmica de cinco fotos com 12 megapixels no Photoshop demorou apenas 35 segundos

Apesar da imaturidade do Edge, ele tem aspectos muito originais, como a capacidade de fazer anotações em qualquer página web para poder guardar ou compartilhar com outras pessoas. O Edge também inclui um modo de leitura, algo que já existe em navegadores como o Safari ou o Mercury. Esta função adapta o layout da página a um formato mais legível e é ideal para consultar textos longos.

Conectar o celular ao chegar em casa e executar a versão para computadores do Windows 10 é outra carta na manga que a Microsoft mostra com seu novo sistema operacional. Apesar de que, por enquanto, é impossível usar a função Continuum para executar o sistema do desktop a partir de um celular.

Interface gráfica de Cortana em sua versão móvel.
Interface gráfica de Cortana em sua versão móvel. wikipedia

Nem a Microsoft, nem nenhuma outra empresa, lançou ainda um celular compatível com essa característica, nem há data para isso acontecer. Além disso, quando forem comercializados, o preço deles poderá ser alto: essa tecnologia parece destinada a máquinas com certa potência.

Além dessas quatro novas novidades há outras características secundárias que não devem ser esquecidas: a possibilidade de que os desenvolvedores criem aplicativos universais que funcionem em computadores, ou tablets ou computadores; o novo visual e as novas funções dos menus internos do sistema; integração com o XBox; a evolução do software para lidar com gráficos Direct X –a Microsoft afirma que o rendimento de seus gráficos deu um grande salto de qualidade–; as novas funções para o controle da segurança e da privacidade; melhorias no design e na multitarefa que possibilitam, por exemplo, o uso de várias áreas de trabalho; e detalhes menores, mas não sem importância, como a possibilidade de gravar em vídeo tudo o que acontece na tela.

Entre os problemas que foram detectados no teste com o Windows 10 aparece um herdado do Windows 8: a escassez de aplicativos pensados para uso com telas sensíveis ao toque. Por exemplo, só há poucas semanas existe uma versão do Dropbox adaptada para tablets. Antes de sua chegada, para usar esse serviço de armazenamento na nuvem, era preciso usar uma versão desktop, um tipo de programa difícil de controlar com as pontas dos dedos.

O Windows 10 herdou um problema do Windows 8: a escassez de aplicativos projetados para uso em telas sensíveis ao toque

Isso não muda com o Windows 10. Embora o sistema tenha uma maneira de usá-lo com mais conforto em um tablet, sua capacidade para ser usado em suportes com telas sensíveis ao toque está nas mãos dos desenvolvedores que se animarem a criar “apps” pensadas para isso. No entanto, desta vez a Microsoft facilitou a situação criando ferramentas que permitem a adaptação de aplicativos de iOS e Android para o Windows. Existem alguns problemas, mas é bem possível que o Windows 10 consiga a aceitação que não teve o Windows 8. Isso não quer dizer que seja um sistema perfeito. Nele existem ideias inovadoras, embora ainda seja desconcertante que convivam sob o mesmo teto aspectos contraditórios, como fica evidente ao abrir as novas opções de configuração e o velho painel de controle. Por que precisa existir dois caminhos diferentes para chegar ao mesmo lugar?

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