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O futuro do trabalhismo

Corbyn deve começar a agir como líder de um partido com possibilidades de governar e não como um militante de base

A eleição de Jeremy Corbyn como líder do trabalhismo britânico — incontestável na lisura do processo e na mobilização do voto jovem — começa a tomar forma como uma séria ameaça para que o histórico partido seja uma alternativa real aos conservadores.

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Algumas das iniciativas do novo líder abrem flancos que podem acabar se tornando cessões de terreno para os conservadores. É verdade, como reclamam seus seguidores, que a política é algo mais do que ganhar eleições, mas Corbyn agora dirige um partido imprescindível na Grã-Bretanha e isso o obriga a estar acima de propostas mais próprias de um militante de base do que de um candidato a ocupar o número 10 de Downing Street.

A intervenção de Corbyn no congresso do partido, embora tenha suavizado algumas de suas posições anteriores, levantou dúvidas. A afirmação de que nunca usará armas nucleares pode ser compreensível em um autêntico pacifista, mas Corbyn esquece que esse arsenal é parte da estratégia de defesa do país, algo que o responsável pela segurança dos britânicos deve levar em conta. Seus companheiros de partido que aspiram seriamente a que o trabalhismo governe, criticaram a ideia. O leve euroceticismo de Corbyn — quando o trabalhismo sempre defendeu o projeto europeu — ou sua oposição a atuar na Síria tampouco alegraram o dia de alguns parlamentares. No flanco oposto, os jovens que o enalteceram com entusiasmo não apreciarão agora a revisão da proposta de reduzir radicalmente as taxas universitárias.

O Partido Trabalhista terá seu primeiro teste nas urnas em maio do próximo ano. Embora o prazo seja demasiado curto e sejam eleições locais, será um bom momento para descobrir se o que é apresentado como uma opção refrescante está em sintonia com os eleitores ou se o novo rumo torna o trabalhismo uma opção pouco crível de Governo.