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MTST ocupa sedes do Ministério da Fazenda em Brasília e outras capitais

Protesto dos sem-teto é resposta à política de ajuste fiscal do Governo Dilma Rousseff

Foto: Protesto na sede da pasta em São Paulo. Nacho Doce/REUTERS REUTERS

Descontente com a política de cortes do Governo federal, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) invadiu, na manhã desta quarta-feira, sedes do Ministério da Fazenda em São Paulo, Brasília, Boa Vista e Belo Horizonte, além de realizar um ato na porta do órgão no Rio e bloquear parte da rodovia Anhanguera, no interior de São Paulo.

"Nós ocupamos [as sedes] porque é esse ministério que está fazendo os cortes de verba na moradia e em todos os programas sociais", afirmou Guilherme Boulos, líder do MTST, sob uma bancada, já dentro do prédio do órgão, no centro de São Paulo.

Na capital paulista, a ocupação ocorreu por volta de 10h (horário de Brasília). Os manifestantes se reuniram na porta da estação da Luz a partir das 9h. Apenas cerca de 50 coordenadores do grupo sabiam que o destino seria a sede do ministério, a 500 metros dali. Abordado pela Polícia Militar no início do ato, Boulos não quis informar qual seria o trajeto do ato. Ao ser questionado pela segunda vez, agora por outros policiais, ele desconversou e acelerou a saída do ato pela rua. Apenas os membros do grupo de apoio, que sabiam do plano, foram autorizados a ficar à frente da passeata. Ao chegarem perto do prédio pediram silêncio e dispararam escada acima, entrando pelo saguão do imóvel. Foram seguidos pelos milhares de presentes, membros de 23 acampamentos do MTST, além de integrantes do Movimento Sem Terra (MST) de Taboão da Serra, e grevistas de órgãos federais. Segundo os organizadores, 8.000 pessoas participavam.

Ao verem a multidão, as recepcionistas do ministério saíram correndo. Seguranças tentaram fechar as portas de vidro que davam acesso ao saguão. Na confusão, duas delas acabaram quebradas.  Um dos manifestantes cortou o nariz, mas ninguém teve ferimentos graves. Os guardas se retiraram pacificamente.

Cerca de 30 minutos depois, a Polícia Militar chegou ao local. Em uma negociação com Boulos, se comprometeu a não entrar com a Tropa de Choque caso os sem-teto permanecessem apenas no hall de entra do prédio, o que foi feito. Os manifestantes ficaram no prédio até por volta de 12h30. A Tropa de Choque estava posicionada atrás e no subsolo do imóvel.

Segundo Boulos, a desocupação aconteceu porque o Governo federal aceitou negociar e disse que realizaria uma reunião em Brasília na tarde desta quarta-feira com uma comissão dos sem-teto. "Se não entendeu até agora, que esse Governo entenda. Nós não vamos aceitar ter o sonho da moradia jogado fora porque eles querem fazer corte social para fechar a conta do Orçamento", disse o coordenador do MTST, ao final do ato. "Eles prometeram divulgar uma nota até o final desta tarde com a decisão deles. Se a postura do Governo não for o que estamos exigindo, a cobrança vai ser nas ruas e com lutas mais duras", completou ele, que ameaçou "travar todas as rodovias do país". 

A Secretaria-geral da Presidência disse que nenhuma reunião foi marcada. Na nota que se comprometeu a enviar, não trouxe nenhuma novidade. "Diante das manifestações realizadas pelo MTST, o governo federal reafirma o compromisso com a manutenção e avanços do Programa Minha Casa, Minha Vida (...) O governo federal acompanha, junto às instituições financeiras, os projetos protocolados pelas entidades ligadas aos movimentos sociais e vai analisá-los de acordo com as regras do programa", assinala o texto. A nota ainda ressaltou mudanças feitas nesta terceira etapa do programa, como o aumento do valor limite da renda para a faixa mais baixa, que recebe mais subsídios governamentais para a compra do imóvel.

Os protestos são uma reação à falta de metas do Governo para a terceira fase do Minha Casa, Minha Vida, principal bandeira petista para a área da habitação, lançada sob pressão do próprio movimento no último dia 10. A presidenta Dilma Rousseff lançou a nova etapa do programa, mas o fez discretamente, para evitar críticas de que estava ostentando gastos. Também não deu nenhuma garantia de quantas novas casas serão construídas, ou prazo para fazê-lo. Quatro dias depois, o ministro do Planejamento Nelson Barbosa afirmou que o programa de habitação perderá 4,8 bilhões de reais no Orçamento de 2016.

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