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Uma fraude tóxica

A manipulação do meio ambiente pela Volkswagen exige sanções e responsabilidades empresariais

Bandeira dos Estados Unidos e logo da Volkswagen em concessionária na Califórnia.
Bandeira dos Estados Unidos e logo da Volkswagen em concessionária na Califórnia. REUTERS

O grupo automobilístico Volkswagen (VW) admitiu que enganou a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos. Instalou em 482.000 veículos vendidos naquele país um sistema de computador manipulado que bloqueava a emissão de gases poluentes dos motores em vários modelos diesel, quando se sabia que estavam sendo inspecionados; superado o teste, o veículo voltava a emitir quantidades de gás muito acima dos níveis permitidos.

Uma fraude desta magnitude não pode ser resolvida com uma simples sanção, mesmo que seja alta (pode chegar a 18 bilhões de dólares – 71 bilhões de reais), porque o dano à credibilidade da VW é incalculável. A queda de suas ações na Bolsa (na segunda-feira perdeu 18,6% de seu valor em Frankfurt) indica que os investidores vão cobrar responsabilidades. Além disso, sua credibilidade ficou muito abalada. O mesmo que VW fez nos EUA pode ter feito na Europa; a possibilidade de que novas inspeções sejam exigidas em seus veículos implica um prejuízo econômico e moral sem precedentes. Os compradores de automóveis podem se perguntar para que servem controles que podem ser tão facilmente burlados.

É necessário que sejam aplicadas as responsabilidades pertinentes, que devem chegar ao presidente, Martin Winterkorn. Uma fraude ambiental é um delito tão grave quanto crimes financeiros e industriais; portanto, deve ser corrigido com o mesmo radicalismo.

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