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Não é um problema alemão

A crise dos refugiados é o maior problema não de um único país, mas de toda a Europa

Refugiados se manifestam durante a reunião dos ministros de Justiça e Interior da União Europeia em Bruxelas.
Refugiados se manifestam durante a reunião dos ministros de Justiça e Interior da União Europeia em Bruxelas. EFE

Passada a onda de solidariedade gerada pelas imagens de milhares de pessoas fugindo da guerra — e de quem infelizmente morreu pelo caminho —, a gestão da crise dos refugiados está produzindo alguns sinais alarmantes.

A decisão da Áustria de utilizar o Exército para tentar administrar a avalanche depois da suspensão temporária das comunicações ferroviárias com a Alemanha, bem como a negativa de cinco países de receber cotas de refugiados e a cerca de arame na fronteira levantada pela Hungria mostram que as cifras dos que estão chegando — e dos que estão por vir — são de tal magnitude que ultrapassam todas as previsões. Diante de uma situação tão complexa não surgem pequenas fissuras entre os responsáveis políticos pela gestão, mas amplas rachaduras. As dificuldades que Angela Merkel está enfrentando são o melhor exemplo. A chanceler alemã tomou a iniciativa em uma generosa abertura de fronteiras, mas agora terá de concretizar as promessas e surgem vozes discordantes dentro e fora de seu país.

É certo que esta crise é complexa e tem causas diversas, mas cabe à Europa desempenhar um papel decisivo para sua resolução, sabendo ainda que está em jogo seu presente e seu futuro. Por isso a crise — e seus componentes políticos, econômicos e humanos — não é um problema alemão e sim um grande problema europeu: o mais importante dos que tem neste momento.

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