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Presidentes da Andrade Gutierrez e Odebrecht são presos pela Lava Jato

As duas maiores empreiteiras do país estavam ilesas até o momento na operação

Marcelo Odebrech, em foto de 2012.
Marcelo Odebrech, em foto de 2012. AFP

Os presidentes das duas maiores empreiteiras brasileiras foram presos na manhã desta sexta-feira durante a 14ª fase da operação Lava Jato. Marcelo Odebrecht, da Odebrecht, e Otávio Marques de Azevedo, da Andrade Gutierrez, tiveram suas prisões preventivas decretadas por suspeita de terem pago propina a ex-diretores da Petrobras por meio de contas no exterior. Segundo o Ministério Público Federal, bancos da Suíça, do Panamá e do principado de Mônaco teriam sido usados por eles para pagarem os recursos ilícitos para pagarem propina através de empresas offshore.

Além deles, também estariam envolvidos os diretores da Odebrecht  Márcio Faria, Alexandrino Alencar e Rogério Araújo, que foram presos, assim como os diretores da Andrade Gutierrez Flávio Lúcio Magalhães e César Ramos Rocha.

Os procuradores e policiais federais que há um ano e meio investigam as fraudes na petroleira chegaram aos dados após ao menos três colaboradores detalharem os dados e apresentarem documentos que comprovavam os pagamentos. A Petrobras já admite que ao menos 6 bilhões de reais teriam sido desviados da estatal por conta da corrupção.

A Odebrecht e a Andrade Gutierrez, conforme o Ministério Público, são suspeitas de participarem de um clube de empreiteiras para fraudar licitações da petroleira. Segundos os indícios da PF, as duas empresas, ao lado de outras 18 construtoras, começaram com os ilícitos em 2002, durante o Governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) o que se expandiu nas gestões de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff (ambos do PT). As investigações da PF se restringem a esse período.

Os nomes das duas empreiteiras sempre apareceram nas investigações, mas nenhum de seus diretores havia sido diretamente implicado até então. Em uma das fases da Lava Jato, policiais apreenderam documentos em uma das sedes da Odebrecht, no Rio de Janeiro. Além de atuarem em grandes empreendimentos, ambas se caracterizaram nos últimos anos por serem fieis doadoras eleitorais para políticos dos mais diversos matizes. A Odebrecht também pagou viagens internacionais e palestras do ex-presidente Lula.

Juntas, as duas mega-empreiteiras, que possuem negócios de porte em dezenas de países, são suspeitas de terem pago 720 milhões de reais como propina. Chegou-se a esse valor ao analisar o tamanho dos contratos que cada uma teve em vigor com a Petrobras. A Andrade Gutierrez tinha 9 bilhões de reais em contratos e a Odebrecht, 17 bilhões. O cálculo leva em conta os 3% que seriam pagos aos agentes públicos, conforme as delações dos diretores envolvidos no esquema.

O delegado Igor Romário de Paula, da PF, justificou a prisão dos executivos dessa forma: “Os presidentes tinham o domínio de tudo o que ocorria na empresa de maneira geral, até porque a corrupção parece disseminada em todas elas, e porque apareceram provas concretas e depoimentos de colaboradores que comprovam a participação em cartel, fraude em licitações e o pagamento de recursos para o pagamento de propinas”.

Além dos oito mandados de prisão preventiva desta sexta, a PF entrou com quatro mandados de prisão temporária e 59 mandados de busca e apreensão. Outros nove investigados serão ouvidos nesta etapa. “A ação faz parte da nova fase da Operação Lava Jato, que inclui também o bloqueio de ativos mantidos em contas e investimentos bancários de dez investigados”, informou a PF em nota.

Esta é a 14ª fase da operação Lava Jato foi batizada de Erga Omnes, um termo em latim para dizer que a lei vale para todos. Durante a entrevista coletiva em que detalharam as prisões, os investigadores informaram que a ideia é dar um recado claro de que qualquer pessoa ou empresa, independentemente de seu tamanho, está sujeita a punições. Coincidência ou não, Marcelo Odebrecht disse esta semana, em evento em São Paulo, que se sentia irritado por por se ver no meio de um debate político.

Outro lado

Em nota, a Andrade Gutierrez negou que tivesse qualquer envolvimento com os fatos relatados pela Lava Jato. Informou ainda que está dando todo apoio necessário aos seus executivos. Já a Odebrecht disse que a prisão de seus representantes era desnecessária pois seus funcionários sempre estiveram à disposição da polícia para colaborar com as investigações. Executivos da companhia sempre defenderam que a PF perseguia tese do cartel, mas que era impossível que existisse, uma vez que o monopólio é da Petrobras, e não das suas fornecedoras.

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