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O ACENTO
El acento
Texto no qual or author defends ideias e chega a conclusões is based on its interpretação dos fatos ou dado

Casa Branca? Está demitido, Donald Trump

Empresário norte-americano deveria olhar para sua história familiar e para um mapa antes de atacar a imigração e o México

Jorge Marirrodriga

“Está demitido!”. Essa frase – horrível para milhões de pessoas em todo o mundo – tornou famoso nas telas de TV, no começo da década passada, o empresário e multimilionário norte-americano Donald Trump, que era a estrela do The Apprentice (O Aprendiz). Era um reality show no qual um grupo de jovens dava o que supostamente seriam seus primeiros passos no implacável mundo dos negócios sob o atento olhar de Trump passando por todos os tipos de provas que tinham pouco a ver com as finanças e muito com o espetáculo. O clímax de cada programa vinha quando Trump reunia os participantes e os incitava a se esfolarem entre si como gladiadores em uma escola de negócios tentando permanecer no programa. Finalmente, o empresário fazia sua intervenção – naturalmente no papel de César – e decidia quem continuava vivo em seu show e quem morria, catodicamente falando. Para estes, depois de um insuportável discurso de ganhadores e perdedores, olhava bem nos olhos, sorria e sentenciava: “Está demitido!”. E aí acabava tudo, porque depois, como sempre acontece, vinham os anúncios.

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The Apprentice terminou faz alguns anos, mas Trump ainda não sabe. Agora anunciou sua pré-candidatura à Casa Branca com um insultante discurso contra milhões de pessoas e uma nação amiga dos EUA: o México, que também se chama Estados Unidos e também está na América do Norte, com certeza. Mas isso Trump também não sabe. Em uma das intervenções mais racistas já feitas por alguém com aspirações presidenciais, Trump disse, entre outras barbaridades, que o México é um país de “drogas e estupradores” e propôs construir na fronteira um muro que, naturalmente, os mexicanos pagariam. Só faltou pedir que algum estagiário de The Apprentice se encarregasse da tarefa.

Trump está preocupado porque quer que os EUA continuem sendo os EUA e não uma terra onde cheguem estrangeiros que – coisas sem importância – transformaram esse país na democracia mais próspera da Terra. Estrangeiros como, por exemplo, sua própria mãe, Anne McLeod, nascida na Escócia. Um país no qual fique claro que toda a árvore genealógica nasceu entre o Atlântico e o Pacífico, e não como seu avô, um imigrante alemão de sobrenome Drumpf, que mudou para Trump. Um país no qual um empresário ganhe seu primeiro dólar em uma cidade de nome absolutamente anglo-saxão. Como ele mesmo, que fez seu primeiro negócio em Cincinatti, cujo nome é tirado do cônsul romano Lúcio Quíncio Cincinato. É preciso entender Trump: qualquer dia desses chegam os imigrantes colocam um nome espanhol em cidades como “Los Angeles” ou “San Francisco”.

São compreensíveis a raiva e a indignação do Governo mexicano pelas barbaridades de Trump, mas é conveniente não perder de vista que essa não é a primeira vez que ele usa a democrática corrida até a Casa Branca para fazer publicidade. Fez o mesmo há quatro anos e só demonstrou uma patética irrelevância política. O povo é sábio e quer dizer: “Você na Casa Branca? Está demitido”. E depois, os anúncios.

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