Aviação

Brasileiro dono da Azul compra a portuguesa TAP

Governo de Portugal privatiza a empresa e entrega o controle a David Neeleman

Companhia portuguesa TAP foi colocada à venda em 2014.
Companhia portuguesa TAP foi colocada à venda em 2014.A. F. / AP

Um consórcio encabeçado pelo empresário brasileiro David Neeleman, dono da companhia aérea Azul, será o novo dono da portuguesa TAP, a última empresa aérea europeia que ainda era 100% pública. O Governo português privatizou 66% da empresa, mas não receberá dinheiro pela venda. O compromisso do consórcio é assumir as dívidas, manter a sede da TAP em Portugal e renovar sua frota.

Neeleman, paulistano de 55 anos, também tem nacionalidade norte-americana. Em 1999, criou a companhia low cost norte-americana JetBlue, da qual foi demitido em 2007, época em que fundou a brasileira Azul.

Mais informações

Por não ser cidadão da União Europeia, Neeleman não pode possuir mais de 49,9% da empresa, mas contornou essa restrição associando-se ao português Humberto Pedrosa, dono da empresa de ônibus Barraqueiro e 15º. indivíduo mais rico de Portugal.

O consórcio vencedor da concorrência promete incorporar 53 novos aviões à decrépita frota da TAP, reforçar as conexões com o Brasil e Estados Unidos e destinar 10% dos lucros aos seus mais de 13.000 funcionários. O novo proprietário não poderá realizar demissões coletivas nos três primeiros anos e terá preferência para a compra dos 34% restantes do capital acionário, que deverá ser entregue pelo Governo nos próximos três anos.

No ano passado, a TAP teve prejuízo de 44 milhões de euros, com uma dívida de 1,06 bilhão de euros e um capital passivo de 511 milhões.

No ano passado, a TAP teve prejuízo de 44 milhões de euros (154,7 milhões de reais), com uma dívida de 1,06 bilhão de euros (3,7 bilhões de reais) e um capital passivo de 511 milhões (1,8 bilhão de reais).

A oferta de Neelman, segundo o que se sabia até agora, diferenciava-se muito pouco da outra finalista, a do colombiano Germán Efremovich, que há três anos esteve na iminência de assumir 100% da TAP. A falta de garantias complicou aquele processo de privatização. Agora, Efremovich – proprietário da Avianca – oferecia 150 milhões de euros imediatos para capitalizar a empresa, além de 100 milhões na forma de 12 aviões já disponíveis para operar. Ele também prometia a renovação da companhia Portugalia, que tem 38 aviões operando voos de curta distância. Seu plano estratégico passava por reforçar as operações de voos para a América do Sul e Estados Unidos, além de aproveitar o aeroporto de Beja como centro logístico do grupo. Também prometia distribuir 10% a 20% dos lucros para os funcionários.

A empresa Transportes Aéreos Portugueses (TAP) foi criada pelo Estado luso em 1945. Têm 13.268 funcionários, 500 a mais do que há ano, e uma frota de 77 aviões.

As regras da Comunidade Europeia proibiam a injeção de dinheiro público na empresa se ela não apresentasse um plano de reajuste de pessoal e eliminação de rotas. Neste ano, a TAP já havia sofrido um golpe ao perder o monopólio dos voos para o arquipélago dos Açores, que desde março passaram a ser operados também por companhias low cost, reduzindo a fatia de mercado da estatal.

A privatização da TAP encerra quase 30 anos de tentativas nesse sentido. Em 1991, o então primeiro-ministro socialista António Guterres chegou a um acordo para vender 25% da empresa à extinta Swissair, mas o negócio não prosperou. Dez anos depois, houve uma nova tentativa de acordo com a companhia suíça, que acabou indo à falência. Os esforços para privatizar a TAP foram retomados na época do premiê José Sócrates e depois com Passos Coelho. Agora, finalmente, o Governo português se desfez de 61% (mais 5% pertencentes aos funcionários), com o compromisso de entregar o restante em três anos.

A privatização sempre foi duramente contestada por sindicatos e movimentos sociais. No último ano, sucessivas greves contribuíram para o expressivo prejuízo operacional da empresa. Em maio, os pilotos realizaram 10 dias consecutivos de paralisação, sem obter nenhuma das suas reivindicações. Também na semana passada, um juiz expediu liminar suspendendo a privatização, mas o Governo alegou “interesse nacional”, e o processo foi retomado.

Debido a las excepcionales circunstancias, EL PAÍS está ofreciendo gratuitamente todos sus contenidos digitales. La información relativa al coronavirus seguirá en abierto mientras persista la gravedad de la crisis.

Decenas de periodistas trabajan sin descanso para llevarte la cobertura más rigurosa y cumplir con su misión de servicio público. Si quieres apoyar nuestro periodismo puedes hacerlo aquí por 1 euro el primer mes (a partir de junio 10 euros). Suscríbete a los hechos.

Suscríbete