Governo aprova segunda medida do ajuste fiscal, e leva ‘bote’ da oposição

Deputados da base de Rousseff não conseguiram impedir as mudanças no fator previdenciário

Manifestantes da Força Sindical no plenário da Câmara.
Manifestantes da Força Sindical no plenário da Câmara.Gustavo Lima (Câmara)

O Governo Dilma Rousseff obteve uma vitória e uma derrota ao mesmo tempo durante a aprovação da segunda medida do ajuste fiscal nesta quarta-feira. A medida provisória 664, que altera as regras de concessão da pensão por morte e do auxílio doença, foi aprovada com folga, 277 a 178 votos (99 de diferença). Com isso, o Governo conseguiu reduzir as traições em comparação com a MP 665, aprovada na semana passada com apenas 25 votos de diferença.

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No entanto, no decorrer de uma das sessões extraordinárias, a oposição deu um bote e conseguiu aprovar uma emenda que afrouxa as regras da aposentadoria e do fator previdenciário.

O PT, partido de Rousseff, não era contra essas mudanças, mas gostaria que o projeto fosse discutido por mais tempo. O líder do partido, deputado Sibá Machado, disse que uma comissão especial seria criada para debater o assunto e ela encaminharia um projeto de lei em até 180 dias. Não adiantou. A emenda que previa as alterações foi aprovada por 232 votos a favor a 210 contra. Houve defecções de vários partidos aliados e do próprio PT. Nove dos 58 petistas que votaram contrariaram a orientação de seu partido. As bancadas do PDT e do PCdoB, que estão na gestão Rousseff, se posicionaram a favor da emenda e votaram com a oposição. Juntas elas têm 30 votos.

A postura causou reclamação na base governista. “Em escola, quando o aluno se comporta mal, é punido pelo professor. Aqui, não existe essa posição hermafrodita. Ou é Governo ou não é”, reclamou o vice-líder do Governo, Silvio Costa (PSC).

O pedetista Weverton Rocha respondeu dizendo que o PDT foi coerente com seus posicionamentos em prol dos trabalhadores. “Em escola, em colégio, o diretor e o professor só cobram do aluno quando eles próprios cumprem sua carga horária e fazem sua parte na escola”, afirmou.

Assim como na semana passada, a sessão foi tumultuada. Houve bate-boca e troca de empurrões entre deputados e um grupo de manifestantes da Força Sindical protestou no plenário.

A MP 664, incluindo essa alteração no fator previdenciário, ainda será analisada em uma segunda votação na Câmara. Na sequência, será votada em duas votações pelos senadores, antes de seguirem para a sanção presidencial.

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