Corrupção... e algo mais

Problemas da petroleira brasileira vão além do desvio de dinheiro

O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, nesta quarta-feira durante a apresentação dos resultados financeiros auditados de 2014.
O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, nesta quarta-feira durante a apresentação dos resultados financeiros auditados de 2014.Antonio Lacerda (EFE)

Dando a volta por cima. A nova direção da Petrobras finalmente apresentou as contas auditadas da petroleira, algo que não fazia desde agosto de 2014, e revelou a difícil situação da empresa, além da trama de corrupção em que está envolvida a maior empresa pública da América Latina. Mas expor os erros do passado não garante por si só um novo começo.

As contas da Petrobras revelam a existência de uma corrupção sistemática e sistêmica. Os 6,2 bilhões de reais que se declaram perdidos são apenas uma estimativa da nova diretoria, que atribui às 27 empresas que participavam da trama um desvio de 3% do valor dos contratos. Poderia ser assim ou poderia ter funcionado de forma diferente segundo as empresas, o alcance dos contratos, a duração dos mesmos... Ainda não foi esclarecido o funcionamento da rede de corrupção. O Barclays calcula que a investigação sobre a Petrobras continuará nas manchetes durante, pelo menos, os próximos “dois ou três anos”. Assim não é fácil inaugurar uma “nova etapa”, como afirmava o presidente da petroleira, Aldemir Bendine. São necessárias mais medidas.

Apesar dos anos de auge nas matérias-primas, é a empresa com a maior dívida do mundo

Apesar de importante, a corrupção não é o único problema da Petrobras. A empresa reconheceu uma deterioração do valor por 44,6 bilhões de reais, pela queda do preço do petróleo, superfaturamento em vários projetos e mau planejamento. Tudo isso a levou a fechar 2014 com perdas líquidas de quase 21,6 bilhões de reais. No ápice de sua trajetória, o valor de mercado da Petrobras chegou a rondar os 275 bilhões de euros (825 bilhões de reais). Hoje é avaliada em apenas em 53 bilhões de euros.

“Esses dados oferecem a possibilidade de a empresa e a economia brasileira começarem a recuperar certa confiança, mas não acabam com o sentimento negativo do mercado”, resume Neil Sharing, economista chefe para mercados emergentes do Capital Economics em Londres.

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Apesar dos anos de glória que viveram as matérias-primas, a Petrobras é a empresa com a maior dívida do mundo, acima dos 120 bilhões de euros. Desde novembro, a petroleira não pode ir aos mercados em busca de financiamento. Sua volta seria um sinal de confiança do mercado no futuro da companhia e na economia do país, a que está tão estreitamente ligada.

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