Rodrigo Rato

Os três últimos diretores-gerentes do FMI são investigados ou processados

Fundo evita fazer comentários sobre detenção de Rodrigo Rato

Os três últimos diretores-gerentes são investigados ou processados.

A prisão de Rodrigo Rato ressoou do outro lado do Atlântico, em Washington, onde o Fundo Monetário Internacional (FMI), carrega o fardo de ter seus últimos três diretores-gerentes envolvidos em processos legais de índoles diversas. Sobre o ex-ministro da Economia, detido depois de uma revista em sua casa, pesam as acusações de fraude, ocultação de bens e lavagem de dinheiro. O Fundo, que está em plena reunião anual da primavera no hemisfério norte justo nestes dias, respondeu oficialmente com um "não há comentários" ao alvoroço causado pela notícia, embora fontes próximas à instituição admitam o dano que isso possa causar para a credibilidade do órgão se os delitos forem confirmados.

O ex-ministro da Economia comandou o Fundo de junho de 2004 até novembro de 2007 e se amparou na anistia fiscal do Governo do PP, em 2012, por isso, não se sabe se as operações que a Fazenda e a Procuradoria investigam foram realizadas ou não durante o seu mandato na organização.

Além disso, os altos funcionários do FMI têm a obrigação de fazer uma declaração financeira anual na qual prestam contas dos ativos e passivos, bem como transações financeiras realizadas durante o exercício anterior. Embora não tenha concluído seu mandato, Rato recebe do Fundo uma pensão vitalícia de 80.000 dólares (245 mil reais).

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"Todos, inclusive os ricos, temos de pagar impostos", disse Lagarde justamente nesta sexta-feira pela tarde em Washington, em um evento realizado como parte das reuniões do FMI na primavera. A diretora-gerente não se referia a Rato, mas respondia a uma pergunta sobre questões tributárias. O Fundo pediu mais dureza contra a evasão fiscal a países como a Grécia.

Lagarde foi imputada no verão passado por "negligência" por sua participação no chamado "caso Tapie", quando era titular de Finanças do Governo de Sarkozy, no qual se investiga uma indenização de 403 milhões de euros a um empresário amigo do presidente. Seu antecessor, Dominique Strauss-Kahn, foi processado por estupro, mas foi absolvido, e agora está sendo julgado por proxenetismo. Depois do escândalo com Strauss-Khan, o contrato de Lagarde incorporou o requisito de comportamento ético.

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