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Netanyahu se equivoca

A ofensiva midiática do primeiro-ministro israelense contra o princípio de acordo com o Irã é contraproducente para Israel

A ofensiva midiática que está sendo realizada pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, perante a opinião pública norte-americana e o Partido Republicano – que tem maioria no Congresso –, opondo-se ao princípio de acordo sobre a questão nuclear alcançado com o Irã na semana passada, constitui uma grave irresponsabilidade. Insistindo em que aquilo que foi conseguido é um mau acordo, e que é melhor não assinar nada, Netanyahu se lançou a uma intensa rodada de entrevistas nas principais redes de televisão dos Estados Unidos. De fato, são muito mais numerosas, por exemplo, que as concedidas em seu próprio país nos últimos anos. O primeiro-ministro israelense tenta torpedear um dos acordos mais importantes das últimas décadas, alcançado com um grande esforço e um grande consenso na comunidade internacional.

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Netanyahu argumenta que o acordo significa um grave perigo não só para seu país, mas para a estabilidade mundial; mas, em seu raciocínio, passa por cima de detalhes fundamentais. Em primeiro lugar, segundo declarou o próprio Barack Obama, ainda se está longe de um pacto final e o aprovado até agora é apenas um princípio de acordo que estabelece uma base positiva: o Irã reduzirá a um terço seu atual programa nuclear. Em segundo lugar, Israel não fica isolado de sua aliança com o Ocidente. O presidente dos EUA enfatizou que, apesar dos desencontros pessoais com Netanyahu, o apoio de Washington a Jerusalém é incontestável. Em terceiro lugar, o futuro pacto não representa nem remotamente uma espécie de resgate internacional do regime dos aiatolás, que viola os direitos humanos, ameaça constantemente Israel e até nega a existência do Holocausto. Trata-se de evitar que o Irã fique de posse de uma bomba nuclear.

Além disso, Netanyahu comete um grave erro, porque com sua estratégia transforma o apoio a Israel em uma questão partidária dentro dos EUA, e isso, sim, representa uma ameaça existencial para seu país.