Moda

‘Top models’ contra ‘Instagirls’

Modelos como Naomi Campbell triunfam ao lado da geração de estrelas da Internet

Naomi Campbell em um desfile de La Perla.
Naomi Campbell em um desfile de La Perla.CORDON PRESS

Dois desfiles em sete dias é uma média normal para qualquer modelo. O número é inclusive um pouco baixo, desde que a top model não esteja aposentada, claro. Na semana passada, Naomi Campbell desfilou para a grife La Perla, foi a estrela da alta-costura de Jean Paul Gaultier e será a anfitriã no evento beneficente Fashion for Relief durante a semana da moda em Londres. Aos 44 anos, a top continua assinando contratos com grandes marcas e ocupando capas de revistas. Seu caso, como o de Kate Moss ou Nieves Álvarez, demonstra a influência inesgotável das modelos consagradas nos anos noventa e transformadas em ícones. Um fenômeno paralelo à outra tendência aparentemente oposta e que triunfa na indústria da moda: a das Instagirls.

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Impulsionadas por seu sucesso nas redes sociais, os cachês de modelos como Cara Delevingne, Kendall Jenner, Karlie Kloss e Joan Smalls aumentam graças aos milhões de seguidores acumulados no Instagram e no Twitter. Campbell mandou um recado para esse grupo há poucos dias, afirmando que “o que chega rápido, vai embora rápido”.

“Tenho 44 anos, não 20 como essas garotas. Desfilar em uma passarela é uma honra”, disse a modelo britânica depois do desfile da La Perla onde, vestida com um conjunto de lingerie, foi a eleita para encerrar o espetáculo de roupas íntimas. No dia seguinte aparecia transformada em um ramo de flores para Jean Paul Gaultier em sua coleção para noivas. Enquanto isso, interpreta um papel na série de TV Empire.

Nieves Álvarez é o melhor exemplo espanhol desse fenômeno. Na semana passada, também desfilou na alta-costura para apresentar a coleção de Stephane Rolland, de quem é musa. “A moda mudou muito desde meu começo. Hoje as modelos são mais efêmeras e em geral têm um look mais homogêneo”, conta a modelo espanhola por e-mail. “Antes, cada uma ressaltava mais sua própria beleza e personalidade, e isso se refletia na passarela. Você tinha a Naomi, a beleza clássica de Christy, a camaleônica Linda Evangelista.”

Depois de mais de 20 anos de trajetória, Álvarez desfruta de uma nova etapa. “Tenho mais segurança do que quando comecei e jamais perco a vontade nem o medo de fazer coisas novas”, afirma. “Ver grandes modelos como Naomi, que continuam ativas e tão maravilhosas, é uma fonte de inspiração. Se você for boa e tiver paixão pelo que faz sempre haverá um lugar para você! É preciso saber evoluir em sua carreira e se adaptar às etapas que vão chegando”, conclui. “Algumas vão de verdade, mas se recebem uma boa oferta financeira ou querem manter seus ganhos voltam”, resume Fernando Merino, agente da agência UNO Models. Linda Evangelista, que no auge de sua carreira não levantava da cama por menos de 10.000 dólares (cerca de 27.000 reais), reapareceu no começo deste ano na campanha da grife Moschino. Não há temporada em que alguma marca não recorra a alguma top dos anos noventa para apelar ao glamour clássico.

Outras empresas preferem as Instagirls. “Acredito que as garotas de minha geração tiveram que ganhar o respeito e subir muitos degraus para conseguir seus objetivos. Às vezes me sinto como... “Meu Deus, trabalhamos tão duro e continuamos trabalhando. E com elas funciona assim”, defendeu Campbell no programa Meredith Vieira Show, da rede de TV norte-americana NBC.

“Você pode fazer um desfile e ser conhecida pelos profissionais do setor, mas se tiver uma rede social vai estar muito mais exposta a todo tipo de público. Todo mundo pode entrar em suas contas e ver, investigar, saber quem você é, conhecer sua imagem”, afirma Merino.

Supermodelos ou Instagirls. Algumas marcas, como a Burberry, optam por ambos os grupos para integrar suas estratégias e atingir todos os públicos. A campanha de primavera da grife é protagonizada por Campbell e Jourdan Dunn, duas décadas mais jovem e com um milhão de seguidores no Instagram.