Pena de morte

Indonésia pede respeito a suas leis após críticas pelas execuções

"Podemos entender a reação do mundo. Mas cada país deve respeitar as leis que se aplicam em nosso país", disse o procurador-geral

Marco Archer, em uma foto de 2003.
Marco Archer, em uma foto de 2003.

O procurador-geral da Indonésia, Muhammad Prasetyo, pediu respeito às leis do país em resposta às críticas pela execução ontem de seis réus, entre eles o brasileiro Marco Archer, segundo informou a imprensa local.

Os condenados - além de Archer havia uma indonésia, um holandês, dois nigerianos e uma vietnamita -, todos eles por tráfico de drogas, foram fuzilados pouco depois da meia noite deste domingo (horário local) em duas penitenciárias no centro da ilha de Java. O corpo de Archer, que tinha 53 anos, foi cremado na Indonésia na tarde deste domingo. Suas cinzas serão trazidas para o Brasil pela tia do brasileiro.

"Podemos entender a reação do mundo e dos países que têm cidadãos que foram executados. No entanto, cada país deve respeitar as leis que se aplicam em nosso país", disse Praseyto, segundo o diário 'The Jakarta Globe'.

O procurador-geral reiterou a defesa da pena de morte como medida dissuasória na luta contra o tráfico de drogas e crimes relacionados ao narcotráfico, que insistiu que continuarão sendo castigados na Indonésia.

"Acho que se compreenderá que a pena de morte está vigente na Indonésia", disse Praseyto em uma coletiva de imprensa. Brasil e Holanda reagiram às execuções com consultas de seus respectivos embaixadores em Jacarta.

A presidenta Dilma Rousseff manifestou sua "consternação" e "indignação" depois da confirmação da execução de Marco Archer e após ter pedido na última sexta-feira clemência em um telefonema ao presidente da Indonésia, Joko Widodo.

Widodo, considerado por muitos ativistas como uma esperança de mudança no país, optou pela linha dura na luta contra o narcotráfico, e no final do ano anunciou que não teria clemência para os condenados por estes delitos.

Mais informações

A Anistia Internacional (AI) qualificou como uma regressão para os direitos humanos as execuções, as primeiras das 20 que o governo indonésio planeja levar a cabo neste ano.

"Este é um grande retrocesso em um dia muito triste. A nova administração assumiu o cargo com a promessa de fazer dos direitos humanos uma prioridade, mas a execução de seis pessoas deixa esse compromisso em aberto", disse o diretor de investigação da AI no Sudeste da Ásia, Rupert Abbott.

O promotor geral indonésio respondeu anunciando a aceleração da segunda fase de execuções.

"Não deveria ter nenhum processo legal por terminar. Uma vez que tenhamos completado [o processo], prepararemos as execuções o mais breve possível', disse Praseyto ao portal 'Jpnn.com'.

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