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Mais um ex-diretor da Petrobras é preso; caso respinga em Collor

Polícia deteve Nestor Cerveró, no aeroporto do Rio, porque ele seguiria cometendo “delitos"

O ex-diretor da Petrobras, Nestor Cervero, chega à prisão em Curitiba. Ampliar foto
O ex-diretor da Petrobras, Nestor Cervero, chega à prisão em Curitiba. REUTERS

Um dia depois da Petrobras anunciar a designação do especialista financeiro João Adalberto Elek Junior como novo diretor do Departamento de Governança, Risco e Conformidade criado para sanear as operações internas da empresa estatal, a Polícia Federal deteve Nestor Cerveró no aeroporto internacional do Rio de Janeiro, influente ex-diretor da área internacional da petrolífera, por sua implicação na Operação Lava Jato. Cerveró, que foi imediatamente levado para a prisão de Curitiba onde estão presos os demais acusados desse enorme caso de corrupção e lavagem de dinheiro, chegava ao Brasil vindo de Londres. Apontado por diversos delatores premiados como integrante da trama que desviou bilhões de dólares entre 2004 e 2013, a Promotoria informou que a ordem de prisão preventiva justificava-se pelos “indícios de que o ex-diretor continua cometendo delitos e irá se esconder da Justiça”. Concretamente, acusa Cerveró de ter transferido dinheiro e três apartamentos de “procedência duvidosa” para uma filha nas últimas semanas.

Seu advogado de defesa, Edson Ribeiro, afirmou à TV Globo que as razões apontadas pelo Ministério Público Federal não têm fundamento e assegurou que não existia restrição judicial ou administrativa para repassar bens para sua família. “Por que então não mandam deter a presidenta da Petrobras, Graça Foster, que também transferiu imóveis para familiares? Isso não é um crime”, exclamou Ribeiro, segundo o qual os movimentos de dinheiro ocorreram por conta de uma doença da citada filha. O advogado criticou que a detenção baseie-se exclusivamente em depoimentos de delatores, destacou a colaboração permanente de seu cliente com a Justiça e anunciou a apresentação iminente de um recurso de ‘habeas corpus’.

A Operação ‘Lava Jato’ não para de aumentar e ameaça obscurecer também o segundo mandato de Dilma Rousseff (ex-presidenta do Conselho de Administração da petrolífera entre 2003 e 2010). Não há dia, nem sequer durante as férias do judiciário do mês de janeiro, que o maior caso de corrupção da história brasileira não acumule dados e pessoas em seu gigantesco expediente.

O jornal Folha de S. Paulo informou na quarta-feira que a Promotoria Geral da República dispõe de “elementos suficientes” para denunciar, no começo de fevereiro (uma vez finalizado o recesso judicial), o ex-presidente do Brasil (1990-92) e hoje senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL). Apesar de ter negado no Congresso, em maio, conhecer o especialista em lavagem de dinheiro Alberto Youssef, a Polícia Federal encontrou depósitos de 50.000 reais em nome do ex-presidente em documentos apreendidos dos ‘arrependidos’ da Lava Jato. Os pagamentos teriam sido feitos pela rede organizada em maio de 2013.

Apesar da Petrobras ter alcançado seu recorde de produção total de petróleo e gás natural em dezembro de 2014 (com uma média de 2.863.000 diários), a maior empresa estatal da América Latina perdeu 40% de seu valor na Bolsa de Valores nos últimos seis meses (e 80% desde seu auge, no ano de 2008). Se o Procurador Geral não levar adiante possíveis acusações formais de políticos (suspeitam-se de várias dezenas), 39 pessoas, entre elas alguns dos maiores empresários do ramo da construção do país, estão formalmente acusadas por uma rede de corrupção e financiamento irregular de partidos que teria desviado mais de 9 bilhões de reais na última década.

Revelações surgidas nas últimas semanas apontam que o policial federal afastado Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido como ‘Careca’ e acusado pela Polícia Federal e a Promotoria de transportar subornos em dinheiro vivo no valor de 15 milhões de reais entre 2011 e 2012, pode ter entregue quantidades desviadas ilegalmente ao então candidato a governador de Minas Gerais pelo oposicionista PSDB, Antonio Anastasia, hoje senador a mando do doleiro Youssef. O ex-candidato do PSDB à presidência da República, Aécio Neves, emitiu uma nota chamando a menção de Anastasia, um de seus maiores colaboradores, de uma forma de “confundir, debilitar e acabar com a credibilidades das investigações conduzidas na Operação Lava Jato”. Outro citado por 'Careca' foi o deputado Eduardo Cunha (PMDB), candidato à presidência da Câmara é da ala do PMDB que defende o rompimento com o Governo petista. Nesta terça, o advogado de Youssef protocolou na Justiça petição na qual nega ter enviado quantias a Anastasia e Cunha.

A Promotoria, enquanto isso, abriu novas frentes de investigação sobre desvios de recursos em contratos da Petrobras não analisados até essa data.

O novo diretor de Governança apresentado pela petrolífera terá um mandato de três anos, renovável, e a missão de “assegurar a regularidade processual e mitigar riscos nas atividades da Petrobras: entre eles, os de fraude e corrupção, garantindo a aderência às leis, normas e regulamentos internos e externos da empresa”, segundo informações da própria Petrobras.

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