Num debate agressivo, Dilma e Aécio deixam os eleitores sem propostas

No pior embate da campanha entre os dois presidenciáveis, sobraram denúncias

Dilma e Aécio, durante o debate no SBT.
Dilma e Aécio, durante o debate no SBT.PAULO WHITAKER (REUTERS)

O segundo debate entre os presidenciáveis Aécio Neves e Dilma Rousseff, a 10 dias da eleição, foi um dos encontros mais agressivos desta campanha. Diante de um empate técnico nas pesquisas eleitorais, o candidato tucano e a presidenta tomaram grande parte do tempo do encontro apenas trocando farpas e denúncias. Sobrou pouco tempo para detalhar propostas sobre o futuro e os principais desafios brasileiros, como o controle da inflação e o crescimento econômico.

Com uma postura beligerante, Dilma e Aécio começaram a fazer perguntas que pouco acrescentam ao debate nacional. Ambos tentaram colocar dúvidas sobre a idoneidade do rival, citando as contratações de parentes em governo, a corrupção na Petrobras – que agora inclui o nome de um ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, que faleceu neste ano – e sobre as falhas no comando da administração pública – Aécio enquanto governador, e Dilma, enquanto presidenta.

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A mandatária questionou o que a irmã do tucano, Andrea, fazia no governo de Minas Gerais, quando ele era governador. Aécio rebateu dizendo que sua irmã exercia um trabalho "voluntário" no Estado, função que "normalmente é exercida pela primeira-dama", e rebateu questionando sobre o irmão de Rousseff, Igor Rousseff, que teria sido nomeado funcionário da prefeitura de Belo Horizonte, em 2003, durante o governo de Fernando Pimentel (PT). "Foi nomeado e nunca trabalhou", de acordo com Neves. Rousseff se defendeu dizendo que nenhum parente seu foi nomeado para seu próprio governo, o que configura crime.

Se no debate anterior, que aconteceu na terça-feira na TV Bandeirantes, Dilma se saiu melhor, ao surpreender o rival com a segurança para responder questões sobre a corrupção, desta vez foi o tucano quem manteve o controle, mesmo com as provocações da presidenta, que trouxe inclusive um fato de 2011, quando o candidato foi parado pela polícia e se negou a fazer um teste do bafômetro – à época, o tucano disse que não viu por que fazer o exame, já que sua carteira de motorista estava vencida e ele não poderia seguir dirigindo. Aécio disse que lamentava que a presidenta estivesse baixando o nível da conversa.

O ex-governador mineiro manteve o arsenal de ataques em relação às denúncias de corrupção na Petrobras, e afirmou que Dilma ou era "conivente ou era incompetente". Dilma aproveitou para lembrar que novos vazamentos da delação premiada do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, atingiam agora um tucano [Sérgio Guerra], que teria recebido propina para que não fosse instaurada a Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras.

Num dos poucos momentos em que se tratou de propostas, o foco foi segurança pública. "Se for eleito presidente da República, vou liderar pessoalmente uma política nacional de segurança". O tucano destacou que apresentou um projeto que tramita desde 2011 para garantir que os recursos aprovados no orçamento para segurança pública sejam efetivamente gastos. Já Dilma Rousseff lembrou do sucesso da Copa do Mundo, quando houve integração entre as polícias federal, estadual e municipal para que o evento corresse dentro da normalidade.

Quando questionada sobre o fato de a inflação neste ano estar maior do que quando ela assumiu o cargo, em 2011, Rousseff aproveitou para questionar a diferença de métodos para lidar com o dragão. "Eu não vou combater a inflação com os métodos do senhor. Que é desempregar, arrochar o salário e não investir. Vocês falam que querem fazer inflação convergir para 3%. Ora, é importante que a dona de casa que está nos escutando saiba, vou falar para ela, o que acontecerá se ela for para três por cento? Nós vamos ter uma taxa de desemprego de 15 [%]".

O clima pesado na troca de acusações pode ter sido responsável por uma cena inusitada ao final do debate. Abordada ao vivo, por uma jornalista do SBT, Dilma teve uma queda de pressão e precisou se sentar numa cadeira do estúdio, com ajuda da repórter, antes de responder. Minutos depois se recompôs e se despediu dos presentes.

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