MERCADOS FINANCEIROS

Temor de recessão derruba bolsas internacionais

Ibex chega a ceder mais de 4,4% no segundo dia de fortes quedas em toda a Europa

Painel informativo na Bolsa de Madri.
Painel informativo na Bolsa de Madri.Zipi (EFE)

As Bolsas europeias entraram, nesta quinta-feira, no segundo dia consecutivo de fortes quedas diante do ressurgimento de tensões nos mercados de dívida soberana e do temor de uma nova recessão no Velho Continente. As dúvidas sobre a situação da Grécia, que está considerando deixar o programa de resgate antes do tempo, e um leilão do Tesouro espanhol, no qual, pela primeira vez nos últimos meses, não foram alcançados os objetivos máximos de emissão, dispararam as vendas entre os investidores.

No meio do dia, o Ibex 35, principal índice da Bolsa espanhola, havia retrocedido 4,6%, chegando a 9.388 pontos. Com esse mínimo, que momentaneamente devolveu o pregão aos níveis de dezembro de 2013, as vendas ficaram em torno de 3,15%. No resto da Europa, o CAC francês caiu 3% poucos minutos antes das 12h30 (7h30 em Brasília), o DAX alemão baixou 3,15% e a Bolsa de Milão caiu 2,7%.

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O dia havia começado bem, com os investidores dispostos a reverter o golpe da quarta-feira. Mas o ímpeto das compras não conseguiu combater as incertezas que estão atingindo esses mercados sempre dados a uma reação exagerada. Após a primeira meia hora de pregão, as Bolsas entravam no vermelho. Além disso, as vendas se aceleraram após 10h45 (5h45 em Brasília), quando se soube o resultado do leilão de obrigações do Tesouro espanhol a 10 e 15 anos.

A operação se encerrou com o levantamento de 3,2 bilhões de euros, cerca de 300 milhões de euros a menos do que o objetivo máximo. Para os bônus a 10 anos, a taxa de juros marginal subiu 2,08% em relação ao último leilão pelo mesmo prazo, e que, de qualquer maneira, havia sido um mínimo histórico, de 2,227%. Os títulos com vencimento em 2028 foram concedidos a 3,524%. Após a colocação, a sobretaxa exigida dos títulos do Estado espanhol diante dos alemães, que servem como referência por causa de sua estabilidade, subiu com força até os 160 pontos básicos. Esse prêmio de risco se estabelece entre os títulos avaliados no mercado secundário, que é onde se trocam os títulos já emitidos.

“Temos uma posição de ‘vender’ no mercado a curto prazo”, disse à Reuters o analista Gérard Sagnier, da Aurel BGC. “Os índices europeus confirmaram a correção. O pânico, junto com os níveis de apoio, estão exacerbando a retirada”, reconheceu.

Outro foco de atenção do novo episódio de nervosismo sofrido pelos mercados é o petróleo. O declínio do preço do barril anuncia uma séria queda da demanda, ao mesmo tempo que também coloca em evidência a luta entre os Estados Unidos, onde só é rentável continuar com a extração do petróleo de xisto e por fratura hidráulica com preços altos, e a OPEP. Entre os produtores do cartel, a Arábia Saudita advertiu que está confortável com os atuais níveis. Nesta quinta-feira, o barril de Brent, referência na Europa, voltou a ficar 1% mais barato, negociado a 83 dólares.

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