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EDITORIAL

Emergência mexicana

Peña Nieto tem de promover expurgos nas forças de segurança e acabar com o controle territorial do ‘narco’

O desaparecimento de 43 estudantes de magistério –dos quais foram recuperados 17 corpos – em Iguala, a apenas 200 quilômetros da capital mexicana, mostra a necessidade urgente de que o plano de reformas em profundidade iniciado pelo presidente Enrique Peña Nieto chegue também às forças de segurança, um elemento-chave na estabilidade democrática do país da América do Norte.

O fato de que agentes de polícia tenham detido os jovens e, posteriormente, segundo a própria confissão de alguns dos agentes uniformizados, os entregaram a pistoleiros do narcotráfico para que estes fizessem o que quisessem com os estudantes é um grave motivo de alarme; põe a descoberto a infiltração dos cartéis da droga em um dos pilares do Estado. Além disso, revela um sórdido mundo de conivências, caciquismo e negação da vontade popular encarnada pelos poderes democraticamente eleitos; um mundo no qual a violação dos direitos humanos é sistemática por acreditar que a impunidade não poderá jamais ser destruída pelos mecanismos democráticos do Estado.

Infelizmente o problema não é novo: faz parte de uma herança pesada recebida por Peña Nieto ao assumir o cargo de presidente da República. Isso, em todo o caso, não o exime de responsabilidade na hora de agir com urgência para esclarecer completamente os fatos, perseguir, prender e punir os culpados, e evitar que fatos semelhantes voltem a acontecer.

Foi Peña Nieto que deu impulso ao programa reformista e modernizador mais ambicioso do México em sua história recente. Das telecomunicações à energia, passando pelo sistema fiscal e a educação, o presidente conseguiu um notavelmente amplo –e inédito–consenso político no país para fazer com que o México responda ao desafio de fazer parte de uma associação privilegiada e exclusiva com duas das principais economias do mundo (as do Canadá e dos Estados Unidos, a maior superpotência) e, por extensão, dos países que mais vão contribuir a médio prazo para o crescimento mundial.

Avançar nesse desafio é incompatível com situações que não só pertencem ao passado, mas que projetam um futuro no qual o crime decidiria sobre a vida dos cidadãos e se serviria de estruturas do Estado para fazer isso. É urgente acabar com essa situação.