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Que sigam as reformas

México deve manter as mudanças e construir o consenso para abordar os desafios pendentes

México protagoniza um dos maiores esforços reformistas, na área institucional e econômico, do panorama internacional da última década. O é tanto pela importância do projeto no qual está embarcado o país como por sua repercussão na economia nacional, latino-americana e global. É uma empreitada cuja iniciativa corresponde ao atual presidente mexicano, Enrique Peña Nieto —presente neste momento em Madri para reforçar a aliança estratégica entre México e Espanha—, e que desfruta do consenso de uma grande maioria da opinião pública mexicana.

O Pacto por México, que começou com o apoio dos principais partidos de oposição —do qual se descolou posteriormente a esquerda representada pelo PRD— é, sem dúvida, para além da micropolítica do momento, o melhor diagnóstico dos males que têm afetado o país nos últimos anos. E provavelmente também encerra seus remédios mais viáveis.

A chegada de Peña Nieto à presidência em dezembro de 2012 supôs também a volta ao poder do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que durante 70 anos ininterruptos governou o México de forma hegemônica. Longe de proceder à restauração da velha política, Peña Nieto fez do consenso —desde o primeiro dia de seu mandato— a bandeira da transformação mexicana em um momento crucial, decidido a reformar algumas instituições e uma economia afligida pela impunidade, a ineficiência, a falta de concorrência e a corrupção.

O Pacto por México pretende —com suas mais de 90 medidas, que vão desde a reforma da educação e do modelo fiscal à abertura da concorrência dos monopólios públicos e privados— inaugurar uma nova etapa no desenvolvimento do país para criar uma sociedade mais justa e igualitária.

México está diante de uma oportunidade e de um desafio. Tem a oportunidade de dar esse grande salto adiante, tantas vezes frustrado, que a sociedade mexicana almeja para construir um país onde não prime a exclusão nem a lei do mais forte, mas que se imponha a justiça distributiva e a inclusão social.

É um desafio porque o caminho da transformação não é fácil, como já se viu na resistência que opõem alguns poderes —empresariais, sindicais, partidários, inclusive criminosos— e para o qual não bastam só a vontade e as boas intenções. São os fatos os que validarão as reformas, não as meras propostas.

O Governo do novo PRI abriu a porta a um novo e melhor futuro do México. iniciou o caminho das reformas e criado extraordinárias expectativas internacionais. É hora de manter o rumo da mudança, de não desfalecer no esforço e de mostrar ao mundo que há uma via mexicana ao desenvolvimento e à democracia.

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