Desmontando 10 mitos do Google Glass

A empresa desmente que incomode os olhos, que grave tudo e que inclua reconhecimento facial

Sergey Brin, cofundador do Google, usando os óculos.
Sergey Brin, cofundador do Google, usando os óculos.

Em maio fará dois anos da sua primeira aparição. O Google já mostrou dois modelos de seus óculos interativos, mas ainda não se tem notícia do seu lançamento nas lojas.

Quando ia se perdendo o interesse em torno de um produto futurista, mas com utilidade ainda por demonstrar, o Google lançou um extenso post no perfil da sua rede social, com mais de meio milhão de seguidores, desmontando os mitos mais comuns a respeito desse aparelho. Precisamente esse impulso, quase uma defesa peremptória, pode ser considerado um passo prévio à sua comercialização além dos modelos aos quais os desenvolvedores de aplicativos já têm acesso.

1.- É uma distração do mundo real. Pelo contrário: em lugar de olhar o computador, o celular ou o tablet, o Glass permite levar uma vida normal enquanto é usado. Ajuda a capturar os primeiros passos de um filho ou um momento especial em um show, mas na maior parte do tempo, se assim se desejar, fica desligado.

2.- Está sempre gravando tudo. Não, são como um celular. A tela do Glass fica apagada por definição. A gravação de vídeo automática só dura os 10 últimos segundos, foi pensada para ter um registro caso ocorra algum momento importante. Se gravassem sempre, a bateria duraria só 45 minutos. Se perguntar a alguém que use, dirá que não, não grava tudo.

3.- Os exploradores (como são chamados os usuários experimentais) são fanáticos por tecnologia. Os exploradores são pessoas normais, de todo tipo: pais, bombeiros, cuidadores de zoológico, estudantes de cinema, jornalistas, médicos… O único que têm em comum é que se servem da tecnologia para melhorar seu trabalho.

4.- Já está pronto. Por enquanto é um protótipo; tanto os exploradores como o público que o experimenta alguma vez desempenham um papel crítico. Nos últimos 11 meses fizemos nove atualizações e melhoramos o hardware até três vezes. Continuamos burilando o produto para poder lançá-lo no mercado de consumo. No futuro, os protótipos de hoje irão parecer tão engraçados para nós quanto aquele celular de meados dos anos 80.

5.- Tem reconhecimento facial. Não, não é verdade. Embora tecnicamente fosse possível, decidimos não incluir nenhum programa que reconheça pessoas. Cada aplicativo lançado passa pelas nossas mãos para que isso seja controlado e proteger a segurança de todos.

6.- O Glass cobre os olhos. “Não me imagino com uma tela em cima dos meus olhos”, dizia um especialista em um artigo recente. Bem, antes de tirar qualquer conclusão, recomendamos experimentar os óculos. A tela, deliberadamente, aparece na lateral direita, não em frente ou acima. Foi desenhado assim porque sabemos como é importante estabelecer contato visual com o mundo real. Muito melhor do que ficar olhando para o telefone com frequência.

7.- O aparelho perfeito para vigilância. Se quiséssemos fazer um aparelho para espionar, teríamos feito algo melhor que o Glass. Sejamos honestos: se alguém quisesse gravar você em segredo, seria melhor não usar óculos claramente visíveis. Na verdade, ele acende quando é ativado com um comando de voz ou tocando na lateral.

8.- É só para alguns privilegiados. O protótipo atual custa 1.500 dólares (3.482 reais), e sabemos que está fora do alcance de muita gente. Mas isso não significa que será só para os ricos. Em muitos casos, foram comprados no trabalho, outros conseguiram dinheiro no Kickstarter e Indiegogo para desenvolver aplicativos. Para outros, foi um presente.

9.- Foi proibido em todo lugar. Desde que os celulares apareceram, as pessoas foram bastante boas em criar uma etiqueta, frequentemente necessária, para saber onde se pode gravar e onde não se pode. O Glass, basicamente, é parecido com o celular, e teria de seguir as mesmas normas. E, sim, dá para usar com lente de contato.

10.- O fim da privacidade. Quando as câmeras chegaram ao mercado de consumo, no final do século XIX, também se proclamou o fim da privacidade. As câmaras foram proibidas em parques, monumentos e praias. As pessoas temeram a mesma coisa quando saíram os celulares com câmera. As câmeras já estão em toda parte. Em dez anos haverá muitas outras, com ou sem o Glass. Cento e cinquenta anos depois da chegada das câmeras e oito depois do YouTube, sabemos que as pessoas gravam e guardam de tudo, de gatos a denúncias de destruição ambiental, quedas de governos ou grandes realizações da Humanidade.