Santander dobra o lucro em 2013 apesar da forte queda do negócio na Espanha

O banco aumenta o lucro em 90%, com 14,46 bilhões de reais oriundos de operações financeiras Unidade espanhola é a que mais reduz participação nos resultados e fica em 7% Grupo atinge 47% dos ganhos na América Latina e cresce com força no Reino Unido

O presidente do Banco Santander, Emilio Botín.
O presidente do Banco Santander, Emilio Botín.

O Banco Santander obteve lucro líquido de 14,46 bilhões de reais em 2013, quase o dobro (90,5%) do que havia obtido no ano anterior, devido às menores necessidades de provisões para créditos de liquidação duvidosa. Além deste corte, os resultados também foram condicionados pelo impulso dos lucros obtidos com operações financeiras nos mercados e pela aposta cada vez mais decidida pelos mercados externos, enquanto continua a redução das margens de lucro na Espanha. De fato, a unidade espanhola é a que pior evolui em todo o grupo, e sua contribuição ao lucro total caiu de 15% em 2012 para 7% no ano passado.

Na Espanha, o Santander obteve um lucro de 1,5 bilhão de reais, 45% a menos do que um ano antes, com uma redução de 3% nos depósitos e de 8% nos créditos. A taxa de inadimplência no país subiu 3,65 pontos percentuais, chegando a 7,49%, afetada pela reclassificação das hipotecas inadimplentes e a queda do crédito, que foi reduzido em 13 bilhões de reais.

Diante deste balanço, a América Latina representou 47% do lucro do grupo, especialmente o Brasil, mesmo que o país também tenha reduzido sua participação e ficado em 23%. Na Europa, o Santander obteve 43% de seu resultado líquido, amparado na melhora no Reino Unido, cuja contribuição subiu de 13% em 2012 para 17%. Os Estados Unidos, por sua vez, representaram 10% do lucro total.

Em todo o grupo, o crédito à clientela caiu 7% em 2013, chegando aos 2,2 bilhões de reais, com uma inadimplência de 5,64%, enquanto os depósitos globais caíram em 3%, ficando em 2 bilhões de reais. A cobertura à inadimplência também cai, como consequência das menores provisões para créditos irrecuperáveis. Em todo o grupo, ela passa a 62%, dois pontos a menos do que um ano antes.

Os maiores lucros procedem das operações financeiras. Os ganhos desta unidade cresceram 28,6%. Graças a esse fato, o banco obteve um lucro de 11,4 bilhões de reais.

“Mudança de tendência”

O presidente do Santander, Emilio Botín, ressaltou nesta quinta-feira que, após vários anos de fortalecimento de balanço e capital, a entidade inicia uma etapa de “forte crescimento” do lucro nos próximos exercícios. Segundo afirma a entidade, os resultados marcam uma “mudança de tendência” depois das quedas sofridas nos últimos anos, já que a crise econômica internacional, “especialmente aguda na zona euro”, provocou fortes necessidades de saneamentos contábeis que arrastaram os resultados para baixo.

Apesar da crise, o Banco Santander exalta, no comunicado desta quinta-feira, o fato de ter sido das poucas instituições que deram lucro “trimestre a trimestre durante os últimos cinco anos”, graças a sua diversificação geográfica. Uma diversificação que fez, em 2013, que 53% do lucro procedesse dos mercados em desenvolvimento, e 47% dos mais maduros.

Dessa forma, diz a entidade, nos cinco anos da crise o Banco Santander realizou um enorme esforço em provisões, a destinação de 214 milhões de reais, e na capitalização, com um aumento 60 milhões de reais no seu core capital, ou 4,13 pontos percentuais, até alcançar um core capital Basileia II de 11,7% (10,9% no Basileia III).

Após realizar provisões creditícias de 35 bilhões de reais e outras dotações no valor de 6 bilhões de reais, o lucro antes dos impostos subiu a 24 bilhões de reais, dos quais 6 bilhões se destinaram ao pagamento de impostos.

Neste sentido, o lucro ordinário atribuído ao grupo, que é o valor calculado como atividade normal do banco, caiu 18,2% com relação a 2012. Naquele ano, a própria instituição defendeu que seu lucro nesses termos alcançou os 17,5 bilhões de reais quando descontadas as provisões de créditos irrecuperáveis, razão pela qual a comparação quanto ao lucro ordinário caiu 18,2%.

Um dividendo de 2 reais

O presidente do Santander, Emilio Botín, anunciou que o banco manterá sua política de remuneração ao acionista com o pagamento de 60 centavos de euro (aproximadamente 2 reais) por título em quatro parcelas. É a mesma quantia dos últimos seis anos, e, de novo, ele descarta pagar em dinheiro, optando por manter o programa “Dividendo à Escolha”. Assim, ou faz o pagamento em títulos ou dá ao acionista a opção de vender os direitos no mercado para receber em espécie.