Em diálogo gravado, Aécio pede 2 milhões de reais à JBS, diz jornal

Informação de 'O Globo' complica ainda mais a situação de senador tucano

Aécio Neves
O tucano, Aécio Neves, senador afastado após escândalo. EFE

O senador Aécio Neves (PSDB- MG), que já se encontrava em uma posição delicada após executivos da Odebrecht relatarem o pagamento a ele de propinas milionárias, viu sua situação se complicar ainda mais nesta quarta-feira. Segundo o jornal O Globo, gravações em posse da Procuradoria Geral da República flagraram o senador pedindo dois milhões de reais a Joesley Batista, dono do grupo JBS, com a justificativa de que necessitava da quantia para pagar sua defesa na Operação Lava Jato.

Segundo o jornal, o diálogo, de cerca de 30 minutos, foi entregue pelo empresário como prova em sua delação premiada. Eles teriam se encontrado no dia 24 de março no hotel Unique, em São Paulo, depois que sua irmã, Andréa Neves, abordou o empresário para combinar o encontro via WhatsApp e telefone. Ainda segundo o jornal, Batista aceitou o pedido e questionou quem pegaria a mala com o dinheiro. "Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança", teria dito Neves, de acordo com O Globo. "Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho", completou o senador. Fred, segundo o jornal, seria Frederico Pacheco de Medeiros, seu primo e um dos coordenadores de sua campanha em 2014.

O primo de Neves encontrou o diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, que, segundo o jornal, é um dos sete delatores da empresa. O dinheiro foi entregue em quatro parcelas de 500.000 reais. Uma dessas entregas foi filmada pela Polícia Federal, disse O Globo. O dinheiro não teria sido entregue a qualquer advogado. E, sim, a Mendherson Souza Lima, secretário parlamentar do senador Zeze Perrella (PMDB-MG). Perrella é visto como um dos grandes aliados de Neves no Congresso e em 2016 teve seu nome envolvido em um episódio insólito; um helicóptero de uma empresa de seu filho, Gustavo Perrella, foi apreendido com 450 quilos de cocaína pela Polícia Federal no Espírito Santo. O piloto da aeronave foi nomeado pelo filho do senador para um cargo na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Ninguém da família do senador foi denunciado pelo crime.

A propina foi levada a Belo Horizonte de carro, diz o jornal. Nas três viagens feitas, Mendherson foi seguido pela Polícia Federal. O destino final do dinheiro seria uma empresa de Gustavo Perrella, o mesmo do helicóptero. Não está claro, no entanto, os motivos que teriam levado o senador a pedir o dinheiro e por quais motivos.

Em nota, a assessoria de Aécio Neves afirmou que o senador está "absolutamente tranquilo quanto à correção de todos os seus atos". "No que se refere à relação com o senhor Joesley Batista, ela era estritamente pessoal, sem qualquer envolvimento com o setor público. O senador aguarda ter acesso ao conjunto das informações para prestar todos os esclarecimentos necessários", ressaltou o texto.

Neves é um dos campeões de inquéritos autorizados pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal no início de abril, ao lado do também senador Romero Jucá (PMDB). São cinco investigações contra o tucano, por suspeitas que vão de doações não contabilizadas a fraudes em licitações para beneficiar a construtora Odebrecht.

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