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Facebook planeja estreia de 20 programas para lançar sua própria televisão

Rede social oferecerá programação própria a partir de junho

Facebook
Mark Zuckerberg durante a conferência F8, em abril. AP

O Facebook não se conforma em atrair toda a nossa atenção para o celular, o computador e o tablet com seu conteúdo social. Ele tem uma nova ambição: captar nossa audiência com conteúdo audiovisual nestes formatos e também na televisão. Com isso passará a competir com Amazon, YouTube e Netflix, que já produzem conteúdo de qualidade para suas plataformas. A Apple também anunciou dois programas, mas ainda sem data clara de lançamento. O Facebook espera estar pronto para começar a transmitir em meados de junho.

Estreará com cerca de 20 de programas, com dois enfoques diferentes. Serão atrações de qualidade, com alto custo de produção, semelhantes ao que se vê na TV paga, mas com episódios mais curtos, entre 5 e 10 minutos cada um, completando em seu conjunto 24 horas de programação contínua.

O Facebook não oculta o seu interesse, nem a proximidade da estreia. A Business Insider vai além e aponta uma data concreta, 17 de junho, a tempo de disputar os leões da publicidade de Cannes.

Embora a rede social não tenha confirmado a novidade, o vice-presidente encarregado desse plano, Dan Rose, já contou ao EL PAÍS a filosofia por trás da iniciativa. A ideia é incluir uma aba só para o vídeo, o qual depois poderia ser visto na tela da sala de casa. “Consideramos que há um perfil de usuário que usa o Facebook mas não pode parar para ver os vídeos durante o dia. Estamos trabalhando num aplicativo para que seja visto na Apple TV, por exemplo. Achamos que é interessante que os usuários guardem os vídeos encontrados dentro do Facebook e os vejam depois na televisão. A aba é mais uma forma de inspirar quem produz vídeos a torná-lo mais longos. A pensar neles não tanto como algo que serve para promover algo, e sim como uma maneira de impulsionar a comunidade”, dizia Rose nessa entrevista. Na ocasião, ele também deixou claro que chegariam através da Apple TV e que esperavam fechar acordos com sistemas similares.

A ‘Business Insider’ vai além e aponta uma data concreta, 17 de junho, a tempo de disputar os leões da publicidade de Cannes.

Contatos com a Netflix

Facebook e Netflix têm uma relação muito próxima. Desde 2011, Reed Hastings, o fundador do videoclube on-line, é parte do conselho da rede social, e é relativamente comum ver os executivos das duas empresas jantando juntos na zona sul do Vale do Silício. É possível que eles tenham falado de um dos grandes trunfos da Netflix, sua capacidade de distribuir conteúdo sem cortes e com qualidade adaptada a praticamente qualquer conexão, mas o modelo de negócio de ambos é radicalmente diferente.

Enquanto a Netflix se centra na assinatura e não tem publicidade, o Facebook armazena dados detalhados de cada perfil para poder vender seu padrão de comportamento ao anunciante que busca exatamente esse usuário. Os vídeos do Facebook terão anúncios a cada cinco minutos, com intervalos de menos de 20 segundos. Intercalando-os dentro do conteúdo, mas com uma interrupção curta, os responsáveis acreditam que conseguirão reter a atenção do espectador sem causar irritação. Trata-se de deixar para trás uma das situações mais incômodas do YouTube, quando somos obrigados a ver uma propaganda antes de sabermos se vídeo clicado é realmente o que queríamos ver.

O Facebook vê uma oportunidade para reter os usuários no conteúdo bem roteirizado, com alta definição. Consideram-no a resposta para liquidar de vez o Snapchat, um aplicativo que não se deixou comprar por três bilhões de dólares e agora, com um valor quatro vezes superior e negociando ações na Bolsa, é alvo da sanha da empresa de Mark Zuckerberg. O Facebook já copiou sua mecânica de postagens efêmeras e abraçou outra das modas que o Snapchat impôs, a realidade aumentada. Faltava apenas monopolizar a atenção dos millennials com vídeos do seu agrado.

Por trás dessa estratégia está Ricky Van Veen, um dos cofundadores do CollegeHumor, uma página de vídeos virais centrados na comunidade universitária. O Facebook o contratou em dezembro para que ativasse esse plano de retenção de usuários.

Ao mesmo tempo em que o Facebook avança na produção de conteúdo em vídeo, também tomou uma decisão drástica: fechar seu estúdio de criação de vídeos em 360 graus. É uma iniciativa que estreou em 2015 e teve dois marcos que geraram expectativa no setor: Dear Angelica e Henry. O Facebook não quer se desfazer dos 50 funcionários do estúdio, por isso está procurando uma forma de encontrar vagas para eles, mas tampouco gastará dinheiro para fazer curtas. Jason Rubin, vice-presidente de conteúdo em realidade virtual, contou no blog da empresa que o Facebook irá apoiar criadores externos. O melhor exemplo será o formato que a editora Condé Nast prepara, com a emissão de um programa de encontros românticos, muito similar ao First Dates da televisão britânica, mas em formato imersivo.

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