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ONGs tentam reação diante do rolo compressor da bancada ruralista

Mais de 40 entidades lançam manifesto contra as políticas do Congresso e do Governo para áreas indígenas e o campo

Indígenas protestam em Brasília.
Indígenas protestam em Brasília. Ag. Senado

Enquanto a bancada ruralista no Congresso se articula para aprovar e cumprir uma agenda voltada para o agronegócio, diversas entidades ambientais e de direitos humanos se organizaram para protestar contra uma política que, segundo dizem, vai contra "o futuro do país". Para isso, lançaram nesta semana um manifesto, assinado por mais de 40 ONGs e movimentos sociais brasileiros e internacionais. O documento é essencialmente uma carta de repúdio à influência da bancada ruralista em temas relacionados a trabalhadores rurais e a indígenas de olho na opinião pública, já que, na correlação de forças do Congresso, a posição é minoritária.

Somente nos últimos 15 dias, uma sucessão de fatos envolvendo o trabalho no campo e políticas indigenistas ocorreram. No início do mês, a luta por terras no Maranhão deixou índios gamelas feridos; o presidente da Funai, Antônio Carlos, foi demitido e o Governo Temer nomeou um general para exercer interinamente o cargo; o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), autorizou a instauração de uma comissão para debater a reforma trabalhista rural, texto que tem sido duramente criticado por entidades que defendem os trabalhadores no campo. Além disso, o relatório da CPI da Funai e do Incra chegou em sua etapa final e está pronto para ser votado na comissão que o analisa.

Neste contexto, diz o manifesto: "Em meio ao caos político que assola o país, a bancada do agronegócio e o núcleo central do Governo Federal fazem avançar, de forma organizada e em tempo recorde, um pacote de medidas que inclui violações a direitos humanos, "normalização" do crime ambiental e promoção do caos fundiário", diz o manifesto, de uma página e meia. "Se aprovadas, tais medidas produzirão um retrocesso sem precedentes em todo o sistema de proteção ambiental, de populações tradicionais e dos trabalhadores do campo, deixando o país na iminência de ver perdidas importantes conquistas da sociedade ocorridas no período democrático brasileiro".

Dentre as entidades que assinam o documento, estão a Amazon Watch, Conectas, Comissão Pastoral da Terra, CUT, Greenpeace, ISA - Instituto Socioambiental, MST, SOS Mata Atlântica, Observatório do Clima e WWF Brasil

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