Seleccione Edição
Entra no EL PAÍS
Login Não está cadastrado? Crie sua conta Assine

Sonda Cassini se aproxima de seu “Grande Final” em Saturno

Nave penetrará entre o planeta e seus anéis para acabar desintegrada na atmosfera do gigante gasoso

Desde que a sonda Cassini foi lançada, em outubro de 1997, até que se destrua, em 15 de setembro de 2017, terão se passado 20 anos. Durante esse período, foi a primeira nave que orbitou Saturno, retratando o planeta, seus anéis e as luas Titã e Encélado, buscando a presença de vida e ajudando a solucionar inúmeros mistérios. E é justamente ela o tema do doodle mundial do Google desta quarta-feira.

Trata-se de um projeto no qual colaboraram a NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), que desenvolveram a sonda Huygens, cuja missão foi aterrissar sobre Titã, e a Agência Espacial Italiana (ASI, na sigla em italiano).

A nave não tripulada Cassini-Huygens foi lançada por um foguete Titan 4B. Com um peso de 5.670 quilos, a sonda percorreu mais de 3,5 bilhões de quilômetros. Chegou a Saturno em 2004 e se tornou seu primeiro satélite artificial após uma longa manobra, enviando valiosas informações desde que entrou na órbita do planeta.

Em novembro de 2016, a sonda começou a mudar de rumo, com o objetivo de sobrevoar o polo norte de Saturno e o anel mais distante do planeta. Desde abril de 2017, vem se aproximando de Titã para aproveitar o impulso de sua gravidade e penetrar no espaço entre o anel mais interno e o planeta – uma extensão com 2.400 quilômetros de largura. Ali realizará 22 órbitas, cada uma com uma duração de seis dias, e se aproximará como nunca do sexto planeta do Sistema Solar. Segundo a NASA, as informações obtidas poderão responder a grandes questões sobre Saturno: qual é sua estrutura interna, o quanto dura um dia no planeta, a que velocidade gira seu núcleo, e quando se formaram seus anéis? Será a primeira vez que serão feitas análises das partículas de gelo dos anéis principais e das camadas externas da atmosfera.

No próximo dia 11 de setembro, a sonda realizará seu último sobrevoo, que já foi batizado de “beijo de despedida” e que servirá para encaminhá-la para a sua desintegração na atmosfera de Saturno quatro dias mais tarde. Neste momento, seu combustível está se esgotando, e os cientistas tentam evitar que seus restos contaminem os lagos de Titã ou os mares de Encélado, porque ali foram descobertos gêiseres com compostos químicos essenciais para sustentar micróbios.

Entre as informações enviadas pela sonda se destacam fotografias que mostram vistas da descomunal tormenta hexagonal que reina no polo norte do planeta, além das imagens de maior resolução tomadas de Pandora, a lua de 84 quilômetros de diâmetro no anel exterior. A nave também coletou dados sobre o lado noturno de Titã, que apresenta entre 10 e 200 vezes mais luz que seu lado diurno. Os cientistas acreditam que isso pode se dever à eficiente difusão frontal da luz solar pela extensa neblina de sua atmosfera, um comportamento que só Titã apresenta em todo o nosso Sistema Solar.

A nave Cassini chega ao final de sua viagem, mas até o momento de sua desintegração continuará nos transmitindo o que ocorre tão longe da Terra.

MAIS INFORMAÇÕES